O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, anunciou no sábado o seu regresso ao país, depois de um périplo por vários países da América do Sul, e convocou manifestações para segunda e terça-feira.

Anuncio o meu regresso a casa desde o Equador, país irmão, que hoje restabelece relações produtivas com o nosso povo (...) não apenas por causa da crise migratória, mas também devido ao flagelo da corrupção", disse o líder do parlamento venezuelano.

Guaidó discursava na cidade costeira de Salinas, ao lado do presidente equatoriano, Lenin Moreno.

"Nesta viagem muito importante pelos nossos países irmãos da América do Sul, viemos não apenas pedir ajuda, como também procurar liberdade, democracia e prosperidade para a Venezuela", acrescentou.

Por sua vez, o chefe de Estado equatoriano expressou apoio a uma "transformação profunda" na Venezuela.

"Estaremos atentos aos sinais do povo venezuelano e a Juan Guaidó, líder e defensor desta profunda transformação que o povo venezuelano necessita", declarou Moreno.

Quito estima que vivem cerca de 250.000 venezuelanos no seu território, 100.000 com visto.

"Este estado está falido, completamente falido, não deve ir mais longe", disse Moreno, referindo-se ao governo de Nicolás Maduro.

Maduro tem insistido que Guaidó deverá "prestar contas nos tribunais" quando regressar ao país.

No mesmo dia, o governo brasileiro exigiu o regresso de Juan Gaidó à Venezuela sem incidentes e sem violações dos seus direitos.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro. Guaidó, de 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.

Nicolás Maduro, 56 anos, no poder desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos.

maioria dos países da União Europeia, entre os quais Portugal, reconheceu Guaidó como presidente interino encarregado de organizar eleições livres e transparentes.