A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) vai apresentar uma queixa crime ao Supremo Tribunal Federal contra Jair Bolsonaro, por expor os membros dos órgãos de comunicação social à Covid-19.

O órgão que representa profissionais da comunicação social alega que o presidente brasileiro colocou a vida dos jornalistas em risco ao retirar a máscara e desrespeitar o distanciamento social, depois de anunciar que estaria infetado com Covid-19, numa conferência de imprensa.

Em comunicado, a ABI frisa que, “mesmo informado de que estava infetado com a Covid-19, o presidente continua a agir de forma criminosa e pondo em risco a vida de outras pessoas”.

Não é possível que o país assista sem reação a sucessivos comportamentos que vão além da irresponsabilidade e configuram claros crimes contra a saúde pública", pode ler-se no comunicado assinado pelo presidente da ABI, Paulo Jeronimo de Sousa.

Bolsonaro anunciou esta terça-feira que estava infetado com o novo coronavírus numa conferência de imprensa onde estiveram presentes profissionais da CNN Brasil, RecordTV e TV Brasil.

Nos últimos dias , o presidente do Brasil esteve reunido com quase 50 políticos e empresários.

Também o deputado federal Marcelo Freixo adiantou no Twitter que vai apresentar uma queixa para que o presidente brasileiro "responda por crimes contra a saúde pública".

Um dos líderes mais céticos em relação à gravidade da atual pandemia, Jair Bolsonaro tem suscitado duras críticas por se opor ao isolamento social para combater a propagação da Covid-19, doença que chegou a classificar de "gripezinha".

O chefe de estado brasileiro referiu que tomou, na segunda-feira, uma dose de hidroxicloroquina, substância polémica usada no Brasil no tratamento da Covid-19, embora a sua eficácia não tenha sido comprovada por estudos e pesquisas científicas.

Na noite de terça-feira, o presidente brasileiro gravou um vídeo, difundido na rede social Facebook, a elogiar os efeitos da hidroxicloroquina no tratamento da infeção pelo novo coronavírus, frisando que "confia" na ação do fármaco.

Rafaela Laja