O autoproclamado Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, enviou esta sexta-feira uma mensagem aos militares venezuelanos instando-os a passarem para "o lado do povo e da Constituição".

Às Forças Armadas, irmãos, é com vocês. Chegou o momento de estar do lado da Constituição, de respeitar o povo da Venezuela. Soldados da pátria (...) ponham-se do lado do povo da Venezuela", disse.

Juan Guaidó falava em Chacao (leste de Caracas), num encontro entre deputados e jornalistas, a que assistiram centenas de pessoas, e em que anunciou que nos próximos dias entrará ajuda humanitária internacional no país.

Nos próximos dias (os militares) vão ter uma prova importante (...) com todos esses que passam fome, que precisam de medicamentos e não têm, se vão permitir ou não a entrada (de ajuda humanitária)", frisou.

Na ocasião, disse ser "hora de Cuba sair das Forças Armadas" venezuelanas.

Que saiam os cubanos, que se retirem dos postos de decisão. Irmãos cubanos, atenção, vocês são bem-vindos para ficar nesta pátria, mas fora das Forças Armadas e dos postos de decisão", disse.

Referindo-se ao corte de relações diplomáticas com os Estados Unidos e o prazo de 72 horas para os diplomatas norte-americanos deixarem a Venezuela, anunciada pelo líder venezuelano Nicolas Maduro, Juan Guaidó pediu aos funcionários daquela embaixada que não saiam.

Vocês podem ficar neste país. É uma ordem, é da nossa competência (…) a embaixada americana permanecerá e com as portas abertas. Que fiquem todas", disse.

Quanto aos funcionários da embaixada e consulados venezuelanos nos EUA, que Nicolás Maduro ordenou que regressassem a Caracas, Guaidó pediu que continuem onde estão.

A esses funcionários digo-lhes que não reconheçam o usurpador e que continuem a cumprir as suas funções, que fiquem atendendo o povo à nossa gente", afirmou.

Juan Guaidó instou os venezuelanos a "não continuarem a adiar o que é óbvio" e convocou uma grande mobilização para a próxima semana, cujos detalhes anunciará no domingo.

Entretanto, chamou a população a realizar neste sábado, assembleias populares em todos os municípios da Venezuela e a "honrar" os mortos durante os protestos.

Pediu também que os populares descarreguem da Internet a lei de amnistia proposta pelo parlamento e que entreguem cópias aos militares, familiares destes e nos quartéis.

Quanto à possibilidade de vir a ser detido, pediu aos venezuelanos que não enveredem pela violência.

Tenho a certeza que me poderiam dar refúgio em casa, mas temos que exercer as nossas funções na rua (…) peço-lhes que se mantenham na rota pacífica", disse.