Albert Rivera demitiu-se de líder do Cidadãos, esta segunda-feira. A decisão surge depois de o partido ter sido o maior derrotado nas eleições deste domingo em Espanha. Rivera anunciou que renuncia ainda ao lugar de deputado e abandona, assim, a vida política: "Nunca na política estive preso a uma cadeira", frisou, em conferência de imprensa.

Nestas eleições o Cidadãos perdeu mais de dois milhões e meio de votos e passou de terceira força política, com 57 deputados, a sexta, elegendo apenas dez deputados. Foi ultrapassado pelo partido de extrema-direita Vox, pela coligação de extrema-esquerda Unidas Podemos e pela Esquerda Republicana da Catalunha (força independentista).

A demissão de Rivera foi apresentada ao comité executivo do Cidadãos, reunido em Madrid esta segunda-feira.

O político, de origem catalã, que esteve 13 anos à frente do Cidadãos, afirmou, numa conferência de imprensa, que se demitiu para que o partido possa definir o seu rumo e o seu futuro.

Demito-me de presidente do Cidadãos para que este projeto, em congresso extraordinário, defina o seu rumo e o seu futuro. (...) Por responsabilidade devo-me demitir-me deste cargo par que este projeto continue a ter futuro. Os maus resultados são do líder", vincou, em declarações aos jornalistas.

Nesta conferência de imprensa, que ocorreu às 12:00 (hora local), Rivera informou ainda que renuncia ao seu mandato como deputado, vincando que nunca esteve preso a uma cadeira.

Segunda decisão: levo quatro anos como deputado nacional. Cada vez que entrei no Congresso fui agredido por ser um deputado que representa os espanhóis. Não se pode assumir que se é deputado apenas por causa de uma folha de pagamento. (...) Quero dar lugar a outro deputado que fique apaixonado ao entrar pela porta do Congresso. Nunca na política estive preso a uma cadeira."

"Deixo a política. A vida pública. Desfrutei, aprendi", acrescentou.

Rivera já tinha assumido o descalabro eleitoral no domingo e afirmado que ia convocar um congresso extraordinário.

É um mau resultado, sem desculpas. (...) Os líderes assumem não só os êxitos, mas também os fracassos ", reconheceu, numa conferência de imprensa, no domingo, após a divulgação dos resultados eleitorais.

Um congresso extraordinário do partido deverá agora eleger um novo líder. De acordo com a imprensa espanhola, Inés Arrimadas, a cabeça de lista por Barcelona e líder parlamentar do partido, perfila-se como favorita para suceder a Rivera.

Arrimadas é uma das figuras de maior projeção do Cidadãos e mostrou-se sempre fiel a Rivera, concordando com os projetos do partido dos últimos tempos. A imprensa não descarta, porém, a possibilidade de outros nomes como Luis Garicano.

Os espanhóis acordaram esta segunda-feira com um cenário político ainda mais fragmentado depois das eleições deste domingo. O PSOE, de Pedro Sánchez, venceu, mas perdeu deputados, e a direita ganhou mais força, com o partido Vox, de extrema-direita, a subir a terceira força política. Assim, a formação de um governo parece ter-se complicado ainda mais.

No domingo Pedro Sánchez apelou a “todos os partidos” para que atuem “com responsabilidade e generosidade” de modo a que seja possível desbloquear o impasse político em Espanha e assegurou que pretende formar um governo progressista. Só que não explicou como pretende conseguir os apoios necessários para ser investido quando o PSOE, apesar de ter ganho as eleições, perdeu três assentos no parlamento, assim como o principal potencial parceiro, Unidas Podemos, que perdeu sete deputados.

Recorde-se que os socialistas elegeram 120 deputados, muito aquém da maioria absoluta que os 176 assentos permitiria, e, contabilizados os votos, o bloco dos partidos de esquerda (PSOE, Unidas Podemos e Mais País) totaliza 158 deputados num total de 350, enquanto o bloco de direita (PP, Vox e Cidadãos) alcança 152 lugares.