O suspeito de ter sequestrado e assassinado Madeleine McCann foi esta quinta-feira identificado pela imprensa britânica e alemã. Trata-se de Christian Brueckner, um homem de 43 anos, que está detido na Alemanha a cumprir uma pena de sete anos de prisão por violação de uma norte-americana em Portugal.

Segundo as últimas informações, Brueckner, que passou mais de uma década a viver em Portugal e saiu do país pouco tempo depois do desaparecimento de Maddie, chegou ao Algarve em 1995 com 18 anos, dizendo à família que trabalhava em catering e como "faz tudo" quando, na verdade, sobrevivia a traficar estupefacientes e a assaltar hotéis e casas de férias.

O alemão foi denunciado à polícia no caso de Maddie porque, dez anos depois do desaparecimento da criança, em 2017, estava num bar com um amigo quando passou na televisão um apelo, a propósito do aniversário do rapto, e Brueckner comentou que "sabia de tudo" o que tinha acontecido a Maddie, tendo depois mostrado ao amigo um vídeo em que violava uma mulher. Este amigo terá levado o caso às autoridades.

Jaguarq que suspeito usava em Portugal foi registado na Alemanha em nome de outro proprietário 24 horas depois de Maddie desaparecer

O suspeito alemão também terá debatido pormenores do caso numa conversa num chat online, que foi levada à atenção das autoridades portuguesas, mas só anos mais tarde foi possível constituir Brueckner como suspeito formal. Registos telefónicos colocam o homem na área da Praia da Luz no dia em a criança inglesa desapareceu. 

Semanas antes do desaparecimento de Maddie, a 3 de maio de 2007, Brueckner deixou a casa em que vivia,  no Algarve, e mudou-se para uma autocaravana antes de desaparecer. Também tinha um Jaguar de 1993 com matrícula alemã, que foi registado na Alemanha em nome de outra pessoa 24 horas depois do desaparecimento de Maddie, ainda que o alemão continuasse a conduzi-lo, sabe  a Scotland Yard, que já localizou o Jaguar e a autocaravana.

A autocaravana usada pelo suspeito no Algarve

Regressando à Alemanha, o suspeito acabou por ser detido por traficar drogas em Sylt, na costa alemã do Mar do Norte, e depois condenado por vários casos de abuso sexual de crianças, revelou Christian Hoppe, da polícia criminal da Alemanha. Cumpriu pena e foi libertado e terá ido para Itália, mas voltou a ser detido no ano passado em território italiano pela violação de uma turista norte-americana no Algarve, em 2005, devido a um mandado europeu de detenção. Já cumpriu sete meses da pena de sete anos, mas recorreu da sentença alegando que a extradição de Itália para a Alemanha foi ilegal. 

O homem é descrito pelas autoridades como caucasiano, com cerca de 1,80 metros de altura e, quando tudo aconteceu, teria cabelos loiros. Atualmente com 43 anos, tinha 30 quando se deram os acontecimentos, mas podia aparentar ser mais novo, com cerca de 25.

Ao longo dos últimos 13 anos, é a primeira vez que a polícia assume ter um suspeito formal.

Ministério Público alemão assume que Maddie morreu

O procuradores do Ministério Público alemão que estão a investigar o suspeito no caso do desaparecimento de Madeleine McCann no Algarve acreditam que a criança foi assassinada. 

O gabinete do Ministério Público de Braunschweig está a investigar um cidadão alemão de 43 anos por suspeita de homicídio. Por aqui se vê que acreditamos que a criança está morta", disse o procurador de Braunschweig, Hans Christian Wolters, citado pela agência Reuters esta quinta-feira. 

Na quarta-feira, o investigador Christian Hoppe, do Bundeskriminalamt (BKA), o Departamento Federal de Polícia Criminal da Alemanha, também já admitira a morte de Maddie, que pode ter sido alvejada quando o suspeito assaltava o apartamento da família. 

Numa entrevista à estação televisiva ZDF, Hoppe não descarta ainda assim o sequestro da criança, nem um ataque provocado por motivos sexuais, mas sublinha que a investigação indica que “a criança está morta”.

Não podemos excluir essa possibilidade. Mas também é possível que o suspeito, depois de uma intenção inicial de roubo, tenha depois cometido um crime sexual”, revelou Hoppe.

Madeleine McCann desapareceu a 3 de maio de 2007 do quarto onde dormia juntamente com os dois irmãos, mais novos, num apartamento de um aldeamento turístico na Praia da Luz, no Algarve.

A polícia britânica começou por formar uma equipa em 2011 para rever toda a informação disponível, abrindo um inquérito formal no ano seguinte, tendo até agora despendido perto de 12 milhões de libras (14 milhões de euros). 

A Polícia Judiciária (PJ) reabriu a investigação em 2013, depois de o caso ter sido arquivado pela Procuradoria Geral da República em 2008, ilibando os três arguidos, os pais de Madeleine, Kate e Gerry McCann, e um outro britânico, Robert Murat. 

Bárbara Cruz