É uma vida de vai e vém, cruzando o Atlântico, até ao lugar que a viu nascer. Pela família e amigos que ainda lá estão, pelo trabalho como atriz. Joana de Verona é lusobrasileira e o sangue que lhe corre nas veias está carregado de preocupação pelo que se passa no seu Brasil. 
 
Bem conhecida do público português, entre outros projetos, pela sua participação nas novelas da TVI Ouro Verde e Valor da Vida, e pelo filme agora em exibição nos cinemas Pedro e Inês, a atriz está em São Paulo, este fim de semana, precisamente durante a segunda volta das eleições. Este domingo é um dia decisivo para um dos países do seu coração, com o frente a frente entre Jair Bolsonaro, candidato de extrema-direita (PSL), e Fernando Hadda, do PT de Lula da Silva. Numa curta entrevista à  TVI24, Verona pede "bom senso" aos brasileiros.

"Acho que qualquer pessoa que tenha algum espaço público deve expressar a sua opinião e apelar a algum bom senso. Acho que isso está a faltar". Ela própria já recorreu às redes sociais para fazer apelos nesse sentido.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Vira !!!! Vai virar !!!! @pedroeines.filme @mostrasp #viravoto #pelademocracia #porumbrasillivre #haddad13

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Não à Violência! Não ao Ódio! Não à Opressão! Não ao Preconceito! Não à Descriminação! Não ao Fascismo!!!! Não ao votar em alguém por medo, ignorância e desespero! Não à propagação de ideias que promovem a desunião, a agressividade, a desumanidade! Tenha um voto consciente!! Juntos por um Brasil Livre, Democrático! Na sua Força, Singularidade e Diversidade! Não queremos retrocessos!!! Queremos União e Respeito, Liberdade e Afecto, Educação e Inclusão! Amor por um país, pelo seu povo e suas tantas distintas culturas! Riqueza cultural e miscegenação! #maislivros #menosarmas #porumbrasillivre #hadadd Juntos pela Democracia!!! Força e União Brasil! 🇧🇷💪🏽💚👊🏽 “Primeiro levaram os negros Mas não me importei com isso Eu não era negro Em seguida levaram alguns operários Mas não me importei com isso Eu também não era operário Depois prenderam os miseráveis Mas não me importei com isso Porque eu não sou miserável Depois agarraram uns desempregados Mas como tenho meu emprego Também não me importei Agora estão me levando Mas já é tarde. Como eu não me importei com ninguém Ninguém se importa comigo.” Bertolt Brecht

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A artista lamenta que os brasileiros estejam "numa espécie de encruzilhada", numa "quase guerra anti-petista e anti-fascista". Sem nunca nomear os candidatos, Joana de Verona é clara relativamente àquilo que, no seu entender, não é admissível num político.

À falta de um candidato mais moderado, mais central, é muito extremada esta situação. Seja por os brasileiros estarem sem esperança, seja por estarem cansados de um antigo governo que fez imensas coisas boas, mas também errou, também fez coisas más... O novo candidato acaba por pegar nas falhas do antigo governo e manifestar-se de encontro com aquilo que o povo, as pessoas, querem. A verdade é que o discurso dele é extremamente radical e não me parece que fomente nada de positivo, na medida em que encoraja nas pessoas um sentimento de ódio, de discriminação, de desigualdade, de violência e, de facto, não me parece uma boa escolha". 

A classe artística brasileira tem-se manifestado muito nas redes sociais, sobretudo depois da primeira volta. Há uma guerra de argumentos entre atores que começou com o apoio de Regina Duarte a Bolsonaro e as críticas de José de Abreu e outras personalidades relativamente à posição daquela atriz. Sobre isto, Joana de Verona realça que "as pessoas têm opiniões diferentes, é importante respeitar-se a opinião, perceber-se as diferentes opiniões e dialogar-se nesse sentido". 

Ao mesmo tempo, constata que "é óbvio que se alguém toma uma posição de apoiar um candidato que é tão extremista e tão radical, é normal que haja réplicas noutras pessoas que são contra esse candidato e que venham ripostar.".

Todos poderão sofrer as consequências de uma vitória de Jair Bolsonaro: "Independentemente de ser classe artística ou não, as perspetivas serão sempre negativas [com esta] possibilidade".