Um britânico que fez parte do ensaio responsável pela descoberta da dexametasona, o primeiro medicamento que combate eficazmente a doença Covid-19, afirmou que estava às “portas da morte” antes de ter acesso ao fármaco.

Pete Herring foi um dos milhares que participou no ensaio do corticóide, que tem vindo a demonstrar provas de uma redução eficaz de vítimas mortais entre doentes em estado grave. 

O desenvolvimento do fármaco tem sido elogiado como um ponto de viragem na luta contra a Covid-19. Esta quarta-feira, a Organização Mundial de Saúde descreveu-a como um “avanço científico”.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que este é o “primeiro tratamento comprovado que reduz a mortalidade em pacientes” que apenas conseguem respirar com recurso a um ventilador, citado pela agência France-Presse.

 

 

À Sky News, Pete Herring disse que o seu estado de saúde se agravou de tal forma que os médicos do Hospital de Addenbrooke, em Cambridge, ponderaram colocá-lo em coma induzido, caso o ensaio clínico não produzisse efeitos.

“Era uma questão de vida ou de morte. Estava com graves sintomas respiratórios, especialmente com muita dificuldade em respirar”, afirmou Pete que deu entrada nos cuidados intensivos no dia 28 de abril.

Quando foi convocado para o ensaio clínico, Pete esclareceu que não sabia se estava a fazer um tratamento com dexametasona, ou se lhe tinham dado um placebo.

“A minha recuperação foi muito gradual. Não foi como se alguém premisse um botão e instantaneamente ficasse bem”

Depois de ter recebido alta do hospital no dia 6 de maio, Pete só descobriu semanas mais tarde que foi tratado com o fármaco.

“Estou grato a 100% por ter participado no ensaio e o medicamento funcionar são notícias maravilhosas”, sublinhou Pete Herring de Cambridgeshire que agora só quer recuperar o tempo perdido com os dois filhos e os dois netos.

Este medicamento é um dos seis aprovados pelo Recovery Trial da Universidade de Oxford para ensaios clínicos relacionados com o novo coronavírus. Os outros são o Lopinavir-Ritonavir (utilizado para tratar o HIV), Hidroxicloroquina (utilizada contra a malária), Azitromicina (antibiótico), Tocilizumab (anti-inflamatório) e plasma convalescente (obtido a partir de doentes que recuperarm de Covid-19).

Segundo o estudo, o risco de morte em pacientes com respiração assistida por ventilador cai mais de um terço. Relativamente aos que estão com oxigénio, o risco de morte cai quase um quarto.

À TVI, o Infarmed garantiu que está a acompanhar a situação, aguardando a publicação dos resultados do estudo na íntegra.

Os investigadores afirmam que, caso o medicamento tivesse sido utilizado desde o início da pandemia no Reino Unido, mais de cinco mil vidas poderiam ter sido salvas.