A polícia francesa já identificou o autor do ataque desta quinta-feira que fez três mortos na cidade de Nice. Trata-se de Brahim Aouissaoui, um jovem de nacionalidade tunisina com 21 anos, que chegou à Europa em setembro, tendo entrado pelo sul de Itália, na cidade de Lampedusa. Estava em França desde o início de outubro.

O atacante acabou por ser detido pela polícia, tendo ficado ferido na sequência de disparos das autoridades.

O presidente francês, Emmanuel Macron, já veio classificar este como um "ataque terrorista de motivações islâmicas". Em declarações aos repórteres no local, o autarca de Nice afirmou que, mesmo sob sedativos, o homem continuou a dizer "Allahu Akbar" (Deus é grande).

Segundo o jornal Le Figaro, uma das vítimas mortais foi encontrada morta perto da pia batismal "quase decapitada". Outra das vítimas é o sacristão da igreja, que foi encontrado sem vida dentro do edifício, também com um corte na garganta.

A terceira vítima é uma mulher que ainda conseguiu fugir e encontrar refúgio num café, onde acabou por não resistir aos ferimentos provocados pelas várias facadas que sofreu.

O ataque já motivou um reforço da segurança junto de várias igrejas de França, país que tem sido o principal alvo de atentados com alegadas motivações islâmicas.

Numa declaração no local, o presidente francês, Emmanuel Macron, qualificou-o como "um ataque terrorista islâmico" e anunciou que o dispositivo militar de segurança passará de três mil para sete mil soldados no país.

O atentado já foi repudiado por vários estados, entre os quais Portugal.

Em 2016 ocorreu em Nice um dos maiores atentados em solo francês, quando um homem matou mais de 80 pessoas utilizando um camião para as atropelar.

Condolências de Marcelo

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, transmitiu ao seu homólogo francês, Emmanuel Macron, as condolências e a solidariedade de Portugal face ao ataque numa igreja católica em Nice que matou três pessoas.

Na mensagem enviada a Emmanuel Macron, divulgada no portal da Presidência da República na Internet, Marcelo Rebelo de Sousa afirma que recebeu com "profunda consternação" a notícia do ataque na Basílica de Nossa Senhora da Assunção, em Nice, no sudeste de França.

Neste momento difícil, em que a França é novamente confrontada com um vil atentado aos valores que a caracterizam e que nos unem, que condeno nos termos mais veementes, apresento a vossa excelência, em nome do povo português e no meu próprio, a expressão da mais sentida solidariedade e sincero pesar", lê-se na mensagem.

O Presidente da República despediu-se de Emmanuel Macron expressando "a mais elevada consideração e estima pessoal" e reafirmando "a profunda fraternidade para com a França e o povo francês e a firme condenação deste ataque".

Em declarações aos jornalistas, no Palácio de Belém, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa reiterou "a solidariedade do povo português e do Presidente da República Portuguesa" transmitida na mensagem enviada a Macron, "num momento em que a França sofre mais um atentado".

Não são apenas aqueles que foram visados os que sofrem, é a França, é a liberdade, é a democracia, é o diálogo, é a tolerância, é a liberdade religiosa, é a liberdade em geral. E nisso, naturalmente, todos os democratas estão ao lado dos demais democratas e lutadores pela liberdade, pela paz, pela convivência pacífica e pela tolerância, para além das divergências que possa haver de posições políticas, religiosas, confessionais ou ideológicas", considerou.

Países árabes condenam atentado e separam-no do Islão

Vários países árabes, entre eles a Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos (EAU) e Jordânia, condenaram vivamente o atentado ocorrido numa igreja em Nice, no sul de França, e separaram-no dos valores do Islão.

Num comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita condenou “energicamente” o “ataque terrorista”, que provocou três mortes, e destacou que os atos extremistas são contrários a todas as religiões e credos”.

Recordamos a importância de rejeitar tais práticas que geram ódio, violência e extremismo”, lê-se na nota.

Também num comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Egito rejeitou “categoricamente” o atentado em França, o terceiro em pouco mais de um mês, e sustentou que os ataques terroristas “contradizem os ensinamentos de todas as religiões”.

Em diferentes comunicados de idênticos departamentos governamentais, os mesmos argumentos e posições foram manifestados pelos EAU, Qatar e Bahrein, que também condenaram o ataque, salientando que rejeitam “todas as formas de violência, extremismo e terrorismo, quaisquer que sejam os motivos”.

Idêntica mensagem deixou também o Presidente do Líbano, Michel Aun, na rede social Twitter.

Também o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Kuwait lamentou o atentado e sublinhou a necessidade de “duplicar os esforços internacionais” para rejeitar qualquer prática de gere o ódio entre os povos e alimente o extremismo e o terrorismo.

O terrorismo é um inimigo comum que nada tem a ver com uma religião específica e vai contra os valores da vida e da paz que representam a religião islâmica”, assinalou, por seu lado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Jordânia.

Por outro lado, o Al Azhar, instituição sunita de referência no Médio Oriente, e a Organização para a Cooperação Islâmica (OCI), integrada por 57 países, advertiram para o risco de uma “escalada nos discursos de violência e ódio” no dia em que os países muçulmanos celebram o aniversário do profeta Maomé.

Em Marrocos, o Conselho Superior dos Ulemás, a máxima instância religiosa abaixo do rei, ordenou aos imãs que evitem nos sermões de sexta-feira a questão das caricaturas de Maomé, que estão a provocar grande controvérsia no mundo árabe.

António Guimarães