Um antigo militar e diretor dos serviços secretos da Venezuela e uma das figuras mais conhecidas do chavismo reconheceu o líder da oposição Juan Guaidó como presidente interino do país. Hugo Carvajal fez uma declaração de apoio surpreendente, na quinta-feira, através do Twitter, e apelou aos seus "irmãos de armas" para ficarem “do lado certo da História”.

Numa série de vídeos partilhados na rede social, Carvajal sublinha que é tempo de Nicolás Maduro "assumir a sua responsabilidade". O antigo militar acusa o líder venezuelano de ter trazido "miséria ao país" e "uma crise humanitária, económica, política e social".

Depois, deixa uma mensagem direta a Guaidó, que reconhece como o “presidente interino da Venezuela”. 

Aqui está mais um soldado pela causa da liberdade e da democracia, que quer ser útil na restauração da ordem constitucional que nos permite convocar eleições livres e ouvir a verdadeira vontade do nosso povo soberano.”

 

Carvajal destacou a sua carreira militar de mais de 30 anos e a sua proximidade ao antigo chefe de Estado Hugo Chávez. Foi sob a governação de Chávez que, de resto, chegou a Major General no Exército venezuelano e liderou os serviços secretos militares do país.

Toda a gente sabe que cumpri os meus deveres numa carreira militar de mais de 30 anos, durante a qual liderei os serviços secretos militares durante mais de uma década, sob o governo de Hugo Chávez, que além de ter sido o meu chefe comandante foi também meu amigo", vincou.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro. Guaidó, de 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.

Nicolás Maduro, 56 anos, no poder desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos.

maioria dos países da União Europeia, entre os quais Portugal, reconheceu Guaidó como presidente interino encarregado de organizar eleições livres e transparentes.