No dia em que o número de infetados por Covid-19 está próximo de um milhão e meio em todo o mundo, o Papa Francisco disse que este momento difícil que a humanidade está a passar oferece uma oportunidade para acalmar a produção e o consumismo mundial, ao mesmo tempo que se torna possível olhar e compreender a natureza.

Não reagimos às catástrofes parciais. Quem é que fala agora nos incêndios na Austrália ou se lembra que há 18 meses era possível atravessar o Polo Norte de barco porque os glaciares tinham derretido? Quem é que agora fala das cheias? Não sei se esta é a vingança da natureza, mas certamente é uma resposta”, disse.

Durante a entrevista à revista The Tablet and Commenwealth, divulgada esta quarta-feira, o chefe da Igreja Católica criticou a resposta inadequada à pandemia da Covid-19 por parte de muitos Estados, referindo o caso dos sem-abrigo. O Papa considera que os mais desprotegidos devem ser colocados em quarentena nas unidades hoteleiras e não em parques de estacionamento ou tendas alternativas.

O Papa, que já testou negativo para Covid-19 por duas vezes, tem promovido o distanciamento social dentro do Vaticano. Reza sozinho e faz as refeições em privado, limitando ao estritamente necessário o contato social.

Assim como a religião, o mundo moderno tal qual o conhecemos mudou com a Covid-19. Todos sabemos como era, como está e pouco se sabe como será depois desta pandemia que já vitimou mais de 86 mil pessoas em todo o mundo sem olhar a crenças, nacionalidades ou posição social. 

Na semana santa que antecede o domingo de Páscoa os católicos preparam celebrações alternativas. No Vaticano, Andrea Bocelli dará um concerto sem público. 

     
Verónica Ferreira