A tenista chinesa de 35 anos Peng Shuai terá acusado o antigo vice-primeiro-ministro da China Zhang Gaoli de abusos sexuais. Gaoli é uma das figuras maiores do partido comunista chinês e está a ser envolvido pela primeira vez no escândalo #MeToo.

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A denúncia foi feita através das redes sociais, rapidamente, as autoridades chinesas tentaram impedir que as acusações se propagassem no mundo digital. 

De acordo com o The Guardian, a publicação de Peng Shuai desapareceu misteriosamente esta quarta-feira, o mesmo dia em que foi publicada. De acordo com a teoria que ainda não foi oficialmente comprovada, o texto original terá desaparecido cerca de 30 minutos após ser publicado.

Através de uma publicação no Weibo (site chinês semelhante ao Twitter), Peng diz que teve um “relacionamento” extraconjugal intermitente com Zhang Gaoli, atualmente com 75 anos, durante alguns anos, que a própria tentou manter em segredo.

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A tenista explica que o ex-vice-primeiro-ministro a deixou de contactar depois de subir na hierarquia do partido comunista chinês, por medo que os encontros pudessem ser gravados sem consentimento e, posteriormente, tornados públicos.

Cerca de três anos depois, Zhang e a mulher terão convidado Peng Shuai para um jogo de ténis na casa do casal. Após a partida, o ex-vice-primeiro-ministro terá violado Peng na habitação.

Nunca consenti naquela tarde. Chorei o tempo todo”, pode ler-se na publicação da tenista.

Na publicação, a tenista acrescenta que tem consciência que não poderá apresentar qualquer prova que suporte o sucedido.

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No mundo de ténis, Peng Shuai destacou-se, sobretudo, em 2014, quando chegou a ser a número um na categoria de pares do ranking WTA.

Já Zhang Gaoli, entre 2013 e 2018, foi um dos sete membros do Comitê Permanente do Politburo, liderado pelo próprio Xi Jinping.

Na China, o movimento MeToo tem ganhado especial atenção nos últimos anos. A detenção da estrela pop Kris Wu, em agosto, abriu esperança que as autoridades chinesas comecem a investigar as denúncias.

Nuno Mandeiro