Mohammad Zubair foi um dos dois sobreviventes da queda de um avião na cidade de Karachi, Paquistão. O aparelho levava 91 passageiros e oito tripulantes a bordo, e despenhou-se numa zona residencial, quando se preparava para a aterragem.

À Associated Press, o sobrevivente conta que foi sentido um forte abanão no avião, mas que pensou que seria causado por turbulência. Pouco depois, o piloto informou, através do intercomunicador, que a aterragem poderia ser "problemática".

O aparelho da Pakistan International Airlines viria a despenhar-se momentos mais tarde, matando pelo menos 97 pessoas.

Numa entrevista concedida a partir do hospital, Mohammad Zubair, engenheiro mecânico de profissão, disse que, até ter sentido o abanão, o voo estava a ser perfeitamente normal. Tinham saído de Lahore a horas, numa descolagem suave, e tudo se manteve sereno durante duas horas.

De repente, sentimos um empurrão violento, outro e outro", explica.

O piloto viria a explicar que a aeronave estava com problemas nos motores, e essa é a última coisa de que Mohammad Zubair se lembra antes de acordar no meio do caos provocado pelo acidente.

Vi muito fumo e fogo. Ouvia pessoas a chorarem, crianças a chorarem", relembra.

Conseguiu mover-se entre os destroços, e acabou por ser retirado pelas equipas médicas, que o levaram para uma ambulância.

Mayday, mayday

O piloto deu pela falha mecânica pouco antes do acidente, e entrou de imediato em contacto com a torre de controlo. Segundo uma transmissão áudio, revelada pelo site LiveATC, o avião indicou aos controladores que tinha falhado a primeira tentativa de aterragem, e estava a caminho de uma nova abordagem à pista.

Estamos a ir em frente, perdemos um motor", disse o piloto, num áudio reproduzido pela agência Associated Press.

O controlador aéreo pediu confirmação da aterragem, ao que se seguiu a última transmissão registada nas caixas negras do cockpit: "Mayday, mayday, mayday, mayday Pakistan 8303".

O presidente da companhia aérea já informou que será conduzido um inquérito independente para apurar as causas do acidente, mas assegura que a aeronave (um Airbus A320) estava em condições de voar. Arshad Malik garante ter documentos que mostram um certificado de manutenção emitido ao avião a 28 de abril.

A Airbus já emitiu uma nota de pesar, lamentando a "tragédia" ocorrida ao voo PK8303.

António Guimarães