O parlamento britânico chumbou o acordo proposto pelo governo conservador da primeira-ministra, Theresa May, para a saída da União Europeia. Ficou a quase 30 votos dos necessários. 

Depois do resultado da votação, que se manifestou em 202 votos a favor do documento e 432 contra, Theresa May desafiou a oposição a apresentar uma moção de censura contra o governo já na quarta-feira.

A Câmara falou, o Governo vai ouvir”, afirmou Theresa May no Parlamento, assegurando que o Executivo vai respeitar a vontade dos britânicos de sairem da União Europeia.

A oposição, depois do desafio da primeira-ministra, apresentou de imediato a moção de censura.

A primeira-ministra fechou a porta ao diálogo”, afirmou Jeremy Corbyn, acrescentando que “ela não pode mesmo acreditar que depois destes dois anos ela pode liderar o país nas negociações". "Apresento mesmo agora uma moção de censura a este Governo para ser debatida amanhã”.

No Twitter foi partilhada entretanto uma fotografia desse documento.

O resultado da votação de hoje é a maior derrota para um Governo desde os anos 20 nesta Câmara”, destacou a oposição.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker já se manifestou, com um lamento e um aviso"O risco de uma saída desordenada do Reino Unido aumentou. (...) O prazo está a esgotar-se"

Os deputados britânicos tiveram nas mãos, como lembour a própria primeira-ministra britânica antes do anúncio do resultado, a "decisão histórica" de decidir o destino do acordo de saída do Reino Unido da União Europeia, esperado para o dia 29 de março deste ano. 

Esta terça-feira decorreu o último de cinco dias de debate sobre o documento que definia os termos da saída do Reino Unido da UE.

May promete negociar com partidos

A primeira-ministra prometeu continuar a negociar com os outros partidos soluções para conseguir que o parlamento aprove o acordo para o Brexit se sobreviver a uma moção de censura do partido Trabalhista.

Theresa May delineou esta estratégia após uma maioria de 432 deputados reprovar o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia no parlamento britânico contra 202 votos a favor, uma desvantagem de 230 votos, em que 118 dos votos contra foram de deputados do próprio partido Conservador.

É claro que a Câmara não apoia este acordo. Mas o voto desta noite não nos diz nada sobre o que ele suporta. Nada sobre como, ou mesmo se, pretende honrar a decisão tomada pelo povo britânico em um referendo que o Parlamento decidiu realizar", disse, após o voto.

May reconheceu a necessidade de primeiro confirmar se ainda goza da confiança da Câmara, antecipando a moção de censura que o líder do partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, confirmou minutos depois.

Acredito que sim, mas, dada a escala e a importância da votação desta noite, é justo que outros tenham a oportunidade de testar essa questão se quiserem fazê-lo", disse, prometendo reservar tempo na agenda parlamentar para um debate e voto na quarta-feira.

Posteriormente, se a moção de censura não passar, prometeu reunir-se com os colegas do partido Conservador e o aliado no parlamento, o Partido Democrata Unionista e dirigentes de outros partidos no parlamento "para identificar o que seria necessário para garantir o apoio".

O Governo abordará estas reuniões num espírito construtivo, mas, dada a necessidade urgente de progredir, devemos concentrar-nos em ideias genuinamente negociáveis e com apoio suficiente nesta Assembleia. Em terceiro lugar, se essas reuniões produzirem essas ideias, o Governo vai explorá-las com a União Europeia", prometeu.

May adiantou que o governo pretende fazer uma declaração sobre o caminho a seguir até segunda-feira, reiterando que entende como um "dever" cumprir as instruções dos eleitores britânicos ao votarem a favor da saída do Reino Unido da União Europeia no referendo de 2016.

Todos os dias que passam sem que este problema seja resolvido significa mais incerteza, mais amargura e mais rancor", lamentou, urgindo os deputados "de todos os lados da assembleia para que escutem o povo britânico, que deseja que esta questão seja resolvida, e que trabalhem com o Governo para o fazer justamente".

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PM escocesa classifica rejeição “derrota histórica” 

A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, classificou hoje a rejeição do acordo de ‘Brexit’ pelo parlamento britânico como uma “derrota histórica” e instou o Governo conservador do Reino Unido a realizar um novo referendo.

Irlanda lamenta aumento da "incerteza"

O Governo irlandês afirmou hoje que a rejeição pelo parlamento britânico do acordo do ‘Brexit’ aumenta a “incerteza” sobre o processo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE), abrindo a porta a um divórcio sem acordo.

Lamentavelmente, o resultado da votação de hoje aumenta o risco de um ‘Brexit’ desordenado. Em consequência, o Governo vai continuar a intensificar os preparativos para um tal resultado”, declarou num comunicado o executivo de Leo Vardakar.

O comunicado adianta que o conselho de ministros se reuniu hoje em Dublin para “tratar pormenorizadamente” dos “preparativos” para enfrentar um ‘Brexit’ sem acordo.

O Governo irlandês reconhece, no entanto, que um ‘Brexit’ desordenado é um mau resultado para todos, incluindo a Irlanda do Norte. Não é demasiado tarde para o evitar e pedimos ao Reino Unido que proponha como resolver este impasse urgentemente”, refere ainda.