"Primeiro, não vamos esquecer que já temos um acordo, já temos um acordo, que foi alcançado por Theresa May e pelo governo britânico e pelo Conselho Europeu e Parlamento Europeu a 25 de novembro do ano passado, há quatro meses". O Reino Unido está a estar a paciência da União Europeia e pelas palavras do negociador-chefe da UE para o Brexi, Michel Barnier, dá para perceber que, como diz o povo, a paciência tem mesmo limites.

Depois de na segunda-feira à noite o parlamento britânico ter voltado a rejeitar as quatro alternativas ao acordo negociado por Theresa May - sendo que tinha chumbado este acordo por três vezes - Michel Barnier alertou esta manhã de terça-feira que "dia após dia", o Reino Unido se prepara para deixar o bloco dos 28 de forma desordenada, sem acordo. 

[Sair] sem acordo nunca foi o nosso cenário desejado nem pretendido. Um não-acordo nunca foi o meu cenário pretendido, mas a UE 27 está agora preparada [para isso]. Torna-se dia após dia mais provável".

Citado pela AFP, o responsável europeu fez questão de sublinhar ainda isto: "Nós tentámos certificar-nos de que o Reino Unido poderia deixar a UE a 29 de março, que era o que o Reino Unido tinha previsto... Se o Reino Unido ainda quiser deixar a UE de maneira ordenada, este acordo, este tratado é e será o único.".

A data foi adiada de 29 de março para 12 de abril - sem acordo - ou para 22 de maio, com acordo.

Os custos da incerteza

Mas e se Theresa May não conseguir a aprovação do seu acordo na câmara dos Comuns? Só há duas opções possíveis, avisou Barnier: "Se o governo do Reino Unido não votar a favor do acordo de retirada nos próximos dias, então apenas duas opções permaneceriam: sair sem um acordo ou solicitar uma prorrogação mais longa do período do Artigo 50. Seria da responsabilidade do governo do Reino Unido escolher entre essas duas opções."

Só que, advertiu também, repetindo o que já havia frisado na semana passada, essa extensão não será automaticamente concedida pelos 27 Estados-membros, na cimeira agendada para abril. 

"Tal extensão traria riscos significativos para a UE, portanto seria necessária uma forte justificaticação. Muitas empresas na UE advertem-nos contra o custo de estender a incerteza. Haveria também um custo político. Se o Reino Unido ainda for um Estado-membro a 23 de maio, terá de participar nas eleições [europeias]".

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Nesse caso, o país teria de permanecer "por mais tempo como um membro de saída" e isso poderia "representar um risco à nossa autonomia decisória", da UE, leia-se. Até porque os laços pós-Brexit com Bruxelas não podem ser negociados enquanto se mantiver dentro da UE. 

O Reino Unido passou não só de um impasse a um imbróglio. 

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