A posição do corpo de Julen determina que foi uma queda livre, rápida, até aos 71 metros de profundidade, onde se encontrava, soterrado.”

A revelação foi feita aos jornalistas nesta manhã pelo delegado do governo da Andaluzia, Alfonso Gómez de Celis, depois de o menino de dois anos ter sido retirado do furo de prospeção de água, onde caiu há 13 dias, e numa altura em que decorre já a autópsia.

Julen foi encontrado coberto de terra, por dois mineiros e um agente da Guardia Civil. A terra terá sido arrastada durante a queda.

O cadáver foi localizado às 01:25 da madrugada em Espanha e retirado cerca das 04:00, no culminar de uma operação única no mundo, em cuja fase final foram chamados mineiros para perfurarem a montanha e chegarem até à criança por um caminho paralelo.

Segundo a imprensa espanhola, os pais de Julen terão gritado: "Outra vez não!", referindo-se à morte do primeiro filho, há dois anos. Oliver tinha apenas três e morreu subitamente durante um passeio na praia com os pais.

A autópsia de Julen está a ser realizada desde as 8 horas locais, menos uma hora em Portugal continental.

Foram realizados uns exames médicos prévios e esperamos que ao longo do dia se possam obter os primeiros resultados, que serão entregues [ao Tribunal de Instrução n.º 9 de Málaga]. Recordo que todas as conclusões são secretas e, pela nossa parte, não podemos divulgar qualquer cenário ou circunstância”, explicou o responsável.

Gómez de Celis disse que as autoridades basearam toda a operação "na premissa de que Julen estava dentro do furo".

"Todos os esforços iam no sentido de encontrar Julen onde foi encontrado. Com urgência, mas com muito cuidado, porque queríamos chegar até ele sem causar-lhe qualquer dano", contou, agradecendo o trabalho de todas as forças de segurança, que envolveram centenas de operacionais no local, 24 horas por dia, mas sublinhando o papel dos mineiros, equipa onde se encontrava o filho de um português.

A orografia do terreno tornou o resgate de Julen uma "missão colossal" e "sem precedentes" ao longo de duas semanas, em que foram mobilizados 85 mil toneladas de terra.

Foi um caminho de obstáculos, que a montanha nos colocava. Parecia que a montanha se defendia", lamentou o delegado.

Quando aos buracos que ficaram, foram, para já, selados com uma tampa de 600 quilos e mais tarde, assim que houver autorização judicial, serão preenchidos.

A triste história não ficará, contudo, por aqui. O caso segue agora para a investigação criminal, sendo certo que o furo onde Julen caiu não cumpria os requisitos legais.

Julen sofreu um "traumatismo cranioencefálico grave"

Julen terá sofrido um "traumatismo cranioencefálico grave", segundo os resultados preliminares da autópsia, concluída nesta manhã, adianta o diário espanhol El Mundo, que cita fonte da investigação. Tudo aponta para que o menino tenha falecido no mesmo dia em que caiu.

De acordo com o mesmo jornal, o menino foi encontrado com os braços para cima, informação que não tinha sido adiantada pelo delegado do governo da Andaluzia, o que sugere que estaria a proteger-se da queda de pedras ou areia, uma vez que durante a queda arrastou terra.

O funeral de Julen realiza-se neste domingo, às 12:00 locais.