No espaço de comentário no Jornal das 8 da TVI, Miguel Sousa Tavares começou por falar sobre a colocação de 50 novos radares nas estradas portuguesas: 30 em autoestradas e 20 em estradas nacionais. 

Para o comentador, a distribuição das máquinas não faz sentido, uma vez que "só há 10% de mortos nas autoestradas e há 60% de mortos nas outras estradas e o resto nas localidades"

 Isto quer dizer que os radares estão onde se anda mais depressa e não onde se morre mais. Estão onde se multa mais facilmente e não onde é mais perigoso", defendeu.

Miguel Sousa afirmou ainda que "há uma tradição de caça à multa nas estradas portuguesas", ou seja, as autoridades não andam "atrás dos assassinos e das pessoas perigosas ao volante, mas sim dos contraventores que dão dinheiro para os cofres do Estado".

Acho que se devia castigar a condução sob efeito de álcool ou estupefacientes, quem faz manobras perigosas, quem conduz sem carta e depois os que causam acidentes. Não é necessariamente os que violam as regras do código da estrada, mas já mais causaram acidente algum. A principal causa das mortes em acidentes rodoviárias em Portugal é a má condução e isso não é perseguido pelas autoridades", referiu.

"Joe Berardo fez foi uma coisa que eu nunca tinha visto"

O comentador da TVI falou também do 12º aniversário da inauguração do Museu Coleção Berardo. Neste dia, há 12 anos, o Estado e o empresário madeirense celebraram então um acordo para albergar a coleção no Centro Cultural de Belém.

Para Miguel Sousa Tavares, Joe Berardo conseguiu fazer o impensável: "emprestou a coleção ao Estado, que a pôs no melhor museu que tinha, que nunca mais pode expor nada, a partir daí, senão a própria coleção Berardo, porque não tem espaço para mais".

O que se faz lá fora, onde há mais benfeitores do que malfeitores, é ou se oferece a coleção toda ao Estado e o Estado arranja onde a meter - criando a um museu para o efeito ou colocando num que já tenha -, ou a própria pessoas faz com as suas peças um museu. O que o comendador Joe Berardo fez foi uma coisa que eu nunca tinha visto", sublinhou.

No espaço de comentário de Miguel Sousa Tavares no Jornal das 8, onde ainda espaço para um entrevista ao ministro das Finanças, Mário Centeno, no dia em que o INE revelou que Portugal conseguiu um excedente orçamental de 0,4% do PIB até março. 

Centeno  explicou que esse resultado foi obtido através "da dinâmica da economia, da evolução da receita fiscal e não fiscal e da execução da despesa que mantém o padrão de anos anteriores".

O governante falou ainda do setor da Saúde, afirmando que o Serviço Nacional de Saúde "tem hoje mais 1.600 milhões de euros por ano" do que com o anterior Governo.