O líder parlamentar do CDS Telmo Correia disse este domingo que ficará no partido onde milita há 40 anos, mas admite que a "a paciência e a prudência começam a esgotar-se".

Correia reagiu à TVI24 depois de o Conselho Nacional do CDS ter aprovado o adiamento, para depois das eleições legislativas, do congresso eletivo do partido, que deveria realizar-se a 27 e 28 de novembro, em Lamego.

"Uma coisa num partido é uma discussão sobre liderança, escolhas", começa por salientar, realçando que, agora, a "discussão é sobre democracia e decência".

Telmo Correia sublinha que, antes do partido, é leal às suas convicções e exprime que "quando a batalha é pela democracia, não nos permite abandonar".

"Hoje, domingo, deviam ter sido realizadas em todas as sedes do partido as eleições dos delegados. É o único ato em que todos os militantes, incluindo os anónimos, se podem pronunciar", assevera.

Num momento em que Adolfo Mesquita Nunes e António Pires de Lima anunciaram a sua desvinculação ao CDS-PP, Correia afirma observar a saída de pessoas de quem é amigo e com quem partilhou longos percursos, mas rejeita partilhar a mesma visão.

Peço, como Nuno Melo fez, a quem está no partido que fique e que continue. Mas há uma coisa que sei, este presidente do partido que não quis congresso, quando foi desafiado em janeiro por Adolfo Mesquita Nunes, e viu metade da sua direção demitir-se", critica, reiterando que Francisco Rodrigues dos Santos "achou que o resultado das Autárquicas(...) lhe permitiam ter uma vitória interna".

Ao ser confrontado com um futuro em que o CDS arrisca a diminuição de representação parlamentar, Telmo Correia reforça as críticas a Rodrigues dos Santos, atribuindo-lhe a culpa desse destino.

"Se isso acontecer, a responsabilidade única e exclusiva é de quem dirige o partido e de quem cancelou um congresso quando estava a caminho de se realizar. Porque os atos têm consequências", define.

"Alguém acredita que um presidente do partido, que diz que vai ganhar e arrasar no Congresso, cancelava o congresso e utilizava todos os meios para o evitar? Isso já não seria um problema de legitimidade, seria de inteligência política", reitera.

O deputado diz ainda ser impossível estabelecer comparações com Paulo Portas que este domingo, no seu habitual espaço de comentário, disse que o partido que liderou assemelha-se "a uma associação de estudantes com más práticas".

"Trabalhei muitos anos com Paulo Portas, é muito corajoso - mesmo fisicamente, em campanha - não é pensável que um líder como Paulo Portas fugisse de uma eleição interna, com um candidato anunciado, a horas de eleger os delegados. Não é pensável. Comprar o legado de Francisco Rodrigues dos Santos com o de Paulo Portas é comparar um caracol com um elefante. Não tem espécie de comparação", afirma.

Nuno Melo afirma ainda que o Grupo Parlamentar sempre esteve do lado do presidente do partido, tendo reunido com Francisco Rodrigues dos Santos duas vezes a seu pedido.

Questionado se o grupo parlamentar centrista irá para a rua em campanha com o atual líder, Telmo Correia diz que "os militantes têm as suas obrigações", mas há uma questão a ser resolvida: "Se o presidente do partido continuar a agir desta maneire é um presidente que perderá a sua legitimidade. Não a legitimidade formal, mas um presidente do partido que tem medo de ir a votos, como irá apelar aos votos dos portugueses?.