O primeiro-ministro, António Costa, não resistiu em provocar os deputados do PSD, esta sexta-feira, no Parlamento, fazendo alusão ao clima de tensão que se vive no partido e que está a pôr em causa a presidência de Rui Rio.

O líder da bancada parlamentar social-democrata, Fernando Negrão, tinha acabado de criticar os problemas do Serviço Nacional de Saúde, no debate quinzenal, quando o chefe do Executivo socialista usou a palavra para espicaçar os deputados da oposição.

Mas estão tão nervosos hoje, porque será? Estão mesmo com um problema de saúde, à flor da pele”, questionou Costa.

É certo que o “nervosismo” de que o primeiro-ministro falou, que é como quem diz o ambiente de instabilidade interna que se vive dentro do PSD, não foi propriamente tema do debate, mas também não se pode dizer que tenha passado inteiramente ao lado.

Logo no arranque do plenário, o cenário no hemiciclo não era o normal para um dia de debate com o primeiro-ministro. Na bancada do PSD, estavam presentes cerca de 20 dos 89 deputados.

A crise no PSD é o tema dominante da agenda política nesta sexta-feira. 

Luís Montenegro anuncia esta sexta-feira a sua disponibilidade para se candidatar à liderança do PSD, desafiando Rui Rio para eleições internas.

Mas não é o único disposto a assumir a lideraça do partido: Miguel Morgado, antigo assessor político de Passos Coelho, afirmou que, se forem convocadas eleições diretas, irá ponderar “muito a sério a possibilidade de ser candidato”. 

A recolha de assinaturas para se convocar um Conselho Nacional Extraordinário do PSD já está a decorrer.

Até ao momento, Rui Rio ainda não reagiu.

O Presidente da República e antigo líder do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa, recusou comentar a crise, justificando que o chefe de Estado não pode comentar a situação no partido A, B, C ou D.