A porta-voz do PAN, Inês Sousa Real, contestou esta quarta-feira a homenagem marcada para o próximo dia 26, no Campo Pequeno, ao cavaleiro tauromáquico João Moura, considerando-a “indigna”.

Recorde-se que o cavaleiro foi detido, em fevereiro de 2020, por suspeitas do crime de maus-tratos a animais de companhia, em Monforte, no distrito de Portalegre. João Moura era criador de galgos e foram-lhe retirados 18 animais doentes e com sinais de magreza extrema.

Na altura dos factos, a TVI teve acesso às imagens do local onde eram mantidos os galgos do cavaleiro, momentos antes do resgate.

A 15 de outubro de 2019, uma outra reportagem da TVI, emitida no programa "Alexandra Borges", revelou o negócio secreto das corridas desta raça canina.

Num conjunto de mensagens publicadas na rede social ‘Twitter’, Inês Sousa Real começa por escrever que “no dia 26 regressa ao Campo Pequeno a bestialidade das touradas e vai ser feita uma homenagem a João Moura!”.

Já é difícil de compreender que se homenageie alguém que tem por atividade torturar um animal, mais ainda quando é do conhecimento público que deixou os seus cães morrer à fome encontrando-se ainda em curso o respetivo processo-crime, por maus-tratos a animais!”, aponta a líder.

 

No cartaz encontramos ainda o nome do seu filho, João Moura Jr., que também ficou conhecido pelas imagens que mostravam os seus cães a atacar um touro. Esta prática abjeta foi abolida na Inglaterra em 1835 e é conhecida como ‘bull-bating’. Consiste em atiçar cães para esfacelarem bovinos vivos” e é proibida também em Portugal pela Lei de Proteção aos Animais (Lei n.º 92/05, de 12 de setembro), sustenta ainda Inês Sousa Real.

A deputada do PAN diz que “Lisboa não pode continuar a ter touradas em pleno coração da cidade” e “homenagens indignas como esta”, recordando que o terreno pertence à Câmara Municipal e a Praça é propriedade da Casa Pia, que se encontra sob a tutela do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

Assim, alega, “está nas mãos do Estado e do poder local acabar com esta anacrónica atividade em Lisboa, não permitindo a quem explora o espaço que ali realize touradas ou, menos ainda, que homenageie alguém que tem contra si a correrem processos-crime por maus-tratos a animais”.

O bem-estar animal é hoje um valor incontornável das sociedades modernas e do nosso ordenamento jurídico. E a violência não faz parte dos valores da cidade de Lisboa e menos ainda do nosso país!”, finaliza.

A temporada tauromáquica no Campo Pequeno, em Lisboa, arrancou no passado dia 5, com 50% da lotação, devido à pandemia da covid-19. No mesmo dia decorreu, à margem do festejo e nas imediações da praça, um protesto contra a tauromaquia da associação Acção Direta.

Agência Lusa / CE