A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, disse que o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Rui Moreira, “não tem condições para continuar no cargo”, depois de conhecida a decisão instrutória sobre o processo Selminho.

Através de uma publicação na rede social Twitter, a bloquista recordou que em 2017, “perante o insuportável conflito de interesses, João Semedo [antigo dirigente do BE] propunha uma solução a Rui Moreira: anular o acordo entre a Câmara Municipal do Porto e Selminho”.

Contudo, “Rui Moreira preferiu o negócio à cidade”, prosseguiu Catarina Martins.

Não vale fazer de vítima, agora que vai a julgamento. Não tem condições para continuar no cargo”, finalizou.

 

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, vai a julgamento no processo Selminho, onde é acusado de favorecer a imobiliária da família, da qual era sócio, em detrimento do município, decidiu hoje o Tribunal de Instrução do Porto.

A juíza Maria Antónia Ribeiro, do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto, decidiu pronunciar (levar a julgamento) o autarca, “nos exatos termos” da acusação do Ministério Público (MP), disse à agência Lusa fonte judicial.

No debate instrutório, realizado em 29 de abril, o MP defendeu que Rui Moreira fosse a julgamento, reiterando que, enquanto presidente do município, agiu em seu benefício e da família, em prejuízo do município, no negócio dos terrenos da Arrábida. Isto, num conflito judicial que opunha há vários anos a câmara à empresa imobiliária (Selminho), que pretendia construir num terreno na escarpa da Arrábida.

A defesa de Rui Moreira, acusado de prevaricação, em concurso aparente com um crime de abuso de poder, incorrendo ainda na perda de mandato, requereu a abertura de instrução, fase facultativa que visa decidir por um Juiz de Instrução Criminal se o processo segue e em que moldes para julgamento.

Também hoje, o independente afirmou que a decisão do Tribunal de Instrução Criminal de o levar a julgamento no âmbito do caso Selminho não interferirá na sua avaliação sobre uma recandidatura à Câmara do Porto.

“Naturalmente não ignoro a existência do processo, por isso quer dizer-vos e deixar bem claro, em particular àqueles que há muito me tentam afastar dos portuenses, que este processo não interferirá na avaliação sobre a minha candidatura a presidente da Câmara Municipal do Porto”, referiu.

. / MJC