Rui Rio pediu, nesta quinta-feira, "medidas colaterais" para quem furar a quarentena devido à pandemia de Covid-19.

Para o líder do PSD, "estar de quarentena não é estar de férias" e, por isso, dando como exemplo o caso dos estudantes, é preciso garantir "que não há convívio social" fora das escolas.

Não adianta muito encerrar as escolas e depois não cuidar que os estudantes se venham a encontrar noutro sítio qualquer. Não vale de nada. As pessoas entram de quarentena e interpretam a quarentena como estar de férias e encontram-se todas noutro sítio. Estar de quarentena não é estar de férias, é estar resguardado e não ter nenhum contacto social", defendeu, em declarações aos jornalistas, depois de uma reunião com o primeiro-ministro, António Costa.

Por isso, defendeu, sempre que é tomada uma medida, "é preciso que se tomem logo medidas colaterais que evitem que se anule a medida tomada".

Segundo Rui Rio, o prejuízo de uma restrição social "é muito menor que o prejuízo de não se fazer nada".

O desenho do problema é este: se os alunos não têm aulas, falando por exemplo no caso dos estudantes, para não haver esse convívio social, eu tenho de arranjar forma de eles não fazerem esse convívio social noutros lados. Isso, para mim, é evidente", insistiu.

O líder do PSD prometeu apoiar o Governo nas medidas de respostas à Covid-19, mesmo que “não sejam simpáticas”, por uma questão “de dever e interesse nacional”.

O presidente dos sociais-democratas sublinhou até que é preferível “prevenir do que remediar, como diz o povo”, e tomar “medidas mais além”, de forma a evitar situações como a que é vivida em Itália.

Estamos a viver uma situação de gravidade, eventualmente mais grave do que aquilo que se pensava”, afirmou ainda Rio, ladeado pelos deputados Adão Silva e Ricardo Baptista Leite.

Se saiu ou não satisfeito da reunião, Rio evitou uma resposta direta, tal como não quis falar ao pormenor do que foi comunicado pelo Governo na reunião na Residência Oficial de São Bento, em Lisboa, e evitou qualquer posição crítica nesta fase.

“Não nos compete andar a procurar diferenças ou críticas relativamente ao Governo”, disse, admitindo que “mesmo que haja alguma crítica” a fazer, “ela pode ser feita pelo telefone ou pessoalmente”.

E concluiu que este “não é momento para andar publicamente a aproveitar isso”.

Uma das sugestões que já deu ao Governo foi o lançamento de uma campanha de informação nos media a alertar para os comportamentos a ter.

Rio apenas admite estado de emergência “se um dia for necessário”

O presidente do PSD, Rui Rio, admitiu poder apoiar uma declaração de estado de emergência devido ao novo coronavírus “se um dia for necessário”, mas dizendo que tal cenário não foi ainda colocado.

Questionado pelos jornalistas no final de uma reunião com a CGTP, na sede nacional do partido, Rui Rio escusou-se a comentar a hipótese de o PSD poder apoiar um Orçamento Retificativo, lembrando que o orçamento para 2020 ainda nem sequer está em vigor.

Neste momento, o Orçamento do Estado não está sequer em vigor, vai retificar o que nem sequer está em vigor? É um problema que não se coloca”, disse.

Poucas horas depois de ter estado com o primeiro-ministro, precisamente para conhecer as medidas que o Governo anunciará hoje à noite, Rio foi questionado se apoiaria a eventual declaração de um estado de emergência.

Se um dia vier isso ver a ser necessário, com certeza. É preciso que seja necessário”, disse.

Perante a pergunta de “se esse dia é agora”, respondeu: “Não foi referido isso, não vi isso em lado nenhum”.

Rio manifestou concordância com a decisão de suspender os jogos de futebol da I e II ligas e com todas que possam permitir ao país “andar sempre um bocadinho à frene do vírus”.

Mais vale pecar por excesso do que por defeito”, disse.

O líder do PSD considerou que o vírus será também uma ameaça à economia e antecipou que o primeiro-ministro também anunciará logo à noite medidas de apoio às empresas.

Não me vou pôr a pré concordar ou pré discordar daquilo que o Governo se propõe a fazer, a tendência é para a concordância, na exata medida em que devemos estar todos aqui a combater um inimigo comum”, afirmou.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) atualizou esta quinta-feira o número de infetados, que registou o maior aumento num dia (19), ao passar de 59 para 78, dos quais 69 estão internados.

O Conselho Nacional de Saúde Pública recomendou na quarta-feira que só devem ser encerradas escolas públicas ou privadas por determinação das autoridades de saúde.

/ CM - atualizada às 18:01