À saída da reunião com Marcelo Rebelo de Sousa, Francisco Rodrigues dos Santos disse aos jornalistas este sábado em Belém que há abertura e "estará em cima da mesa para discussão" a possibilidade de uma coligação com o PSD para as eleições antecipadas. No entanto, o líder do CDS diz que o partido estará preparado para ir a eleições sozinho.

Citando Sá Carneiro, Rodrigues dos Santos salienta que "em primeiro lugar o país, depois o partido e, só no fim, as circunstâncias pessoais de cada um de nós", depois de culpar o Partido Socialista por ter "mergulhado o país numa crise política que obriga a convocação imediata de eleições".

Não será pela parte do CDS que o país não terá Governo o mais rapidamente possível e um Orçamento. O CDS está empenhado em ser parte da solução", afirma, destacando que apoia umas legislativas "logo logo que possível" - 9 ou 16 de janeiro.

Questionado sobre o facto de a data prevista para eleições não permitir o PSD fazer o seu congresso e se considera o horizonte temporal limitador, Rodrigues dos Santos afirma que não se imiscui na vida interna dos partidos e que o seu "arrumou a casa" e tem uma opção "consolidada" que apresentou ao Presidente da República.

O que me preocupa como presidente do CDS, em primeiro lugar, é o país. O país não pode esperar por não ter um Orçamento e comprometer fundos essenciais como o PRR. Quando ao resto, o CDS é um partido autónomo e estará preparado para ir a eleições sozinho, se for o caso disso", afirma.

O líder do CDS revela, no entanto, que existe abertura e estará em cima da mesa para discussão a possibilidade de um entendimento eleitoral com o PSD.

Isso significa que poderá haver uma coligação? Não significa. Significa que não será discutido? Não creio, acredito que vamos discutir certamente essa possibilidade", define, argumentando que esta coligação já produziu "vantagens", observadas no governo em conjunto na Madeira e nos Açores, este último pacto realizado "sob a sua liderança", destaca Rodrigues dos Santos.

"Somos um partido de estabilidade, compromisso e de Governo e que sempre esteve à altura de todos os momentos da nossa história democrática. Tenho a certeza absoluta que o meu empenho e o da minha direção é projetar o CDS para fora, para lhe dar músculo, para termos boas propostas aos portugueses e que elas sejam conhecidas", afirma.

Rodrigues dos Santos assevera que o "país não pode esperar" e que a "vida interna dos partidos não deve condicionar todo o interesse nacional e a necessidade de termos um governo estável".

O líder do CDS foi ainda questionado sobre o abandono de Adolfo Mesquita Nunes do partido, ao fim de 25 anos, mas recusou-se a tecer qualquer comentário sobre o assunto.

Questionado pelos jornalistas sobre as razões invocadas por alguns partidos, como o PAN, que pedem que as eleições não decorram nas datas que o próprio avançou para que a Assembleia da República consiga fechar alguns diplomas antes da sua dissolução, Francisco Rodrigues dos Santos defendeu que, neste momento, “o PS já está em campanha eleitoral, quer no Governo, quer através da sua bancada parlamentar na Assembleia da República”.

Segundo o líder do CDS, tanto o PS como os partidos à esquerda “procurarão agora, nesta reta final da legislatura, fazer tudo aquilo que não fizeram durante estes seis anos, prometer tudo a todos, criando ilusões para ter contrapartidas políticas, ou seja, governando a pensar na eleição e não na próxima geração”.

Rodrigues dos Santos deu o exemplo da reapreciação do diploma vetado sobre a eutanásia, marcado para dia 04 de novembro, afirmando que recebeu a notícia com “estupefação” e que foi motivada “por uma agenda política fraturante”.

Portanto, não concordo de maneira nenhuma com o protelar e o adiamento das eleições legislativas, nem sequer concordo com esta perpetuação do Governo socialista no poder ou de esquemas e manobras parlamentares”, indicou.

A delegação do CDS hoje recebida pelo Presidente da República foi composta por Francisco Rodrigues dos Santos, pelo vice-presidente do partido Pedro Melo, pelo presidente da mesa do Conselho Nacional, Filipe Anacoreta Correia, e pelo presidente da mesa do Congresso, Martim Borges de Freitas.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, recebe hoje, em Belém, os partidos com assento parlamentar para discutir a dissolução do parlamento e da data das eleições antecipadas.

As audiências decorrem por ordem crescente de representação parlamentar, tendo o chefe de Estado já recebido a Iniciativa Liberal, Chega e PEV e prosseguindo com o CDS, PCP, BE, PSD e PS.

Henrique Magalhães Claudino / Com Lusa