A ministra da Saúde anunciou esta segunda-feira que a cobertura vacinal em Portugal continental é de 2,02%, totalizando a administração de 5,40 inoculações por cada 100 residentes.

Marta Temido garantiu também que 200 mil pessoas já foram vacinadas plenamente, sendo que 333 mil foram inoculadas pela primeira vez. Durante o ponto de situação sobre o plano de vacinação contra a covid-19, a ministra informou que, até às 13:00 horas desta segunda-feira, foram realizadas "533 mil e setenta inoculações".

Até sexta-feira passada foram recebidas 694.800 doses de vacinas contra a Covid-19, das quais 42.900 foram enviadas para as regiões autónomas", adianta, destacando que o país recebeu 104.130 doses da vacina da Pfizer e que está prevista a entrega de 93.500 doses da AstraZeneca até ao fim desta semana.

Anunciando que foi vacinada durante a manhã, a ministra refere que Portugal apenas receberá dois milhões e meio de vacinas até março, um número muito abaixo do esperado - 4,4 milhões.

Não está totalmente confirmado e vai sendo confirmado semana a semana com os dados das empresas”, disse.

Apontando para a estratégia desta semana, a ministra afirma que está prevista a administração de 143 mil doses de vacinas em estruturas residenciais de idosos e de cuidados continuados. Até ao momento, cerca de 72% das pessoas nestas estruturas já foram vacinadas. 

Está ainda previsto que, durante esta semana, 495 unidades passem a ter meios para convocar utentes para a vacinação nos centros de saúde - na semana passada eram 40. Ainda assim, admite que o contacto ainda não tenha abrangido todos os utentes, especialmente as pessoas com mais de 80 anos, que iniciaram o processo de agendamento há poucos dias.

O contacto é feito com um agendamento dos centros de saúde e esse conatcto ainda não abrangeu todas as pessoas", indica a ministra da Saúde.

Questionada sobre se os problemas na entrega de vacinas, que se têm multiplicado pela União Europeia, comprometem os objetivos do Governo, Marta Temido explica que há hoje a expectativa de entrega de mais doses. "Este é um processo que continua a decorrer com aproximação àquilo que é a fase desejável, que é a fase em que teremos mais vacinas a serem introduzidas no nossos sistema de saúde", diz Temido.

Face àquilo que se estima não há motivo para não considerar que não vamos cumprir a vacinação de 70% da população no final do verão", sentencia.

Rastreios mais amplos e testes a todos os contactos ( não só os de alto risco)

Marta Temido anunciou esta segunda-feira que não só os contactos de alto risco, "mas todos os contactos de um determinado caso positivo" devem ser testados. É uma alteração presente na Estratégia Nacional de Testes para a SARS-CoV-2 e que prevê a testagem, de 14 em 14 dias, em escolas, prisões, fábricas ou na construção civil, nos concelhos com mais casos.

De acordo com a ministra, podem vir a ser contratados profissionais de saúde para aumentar a capacidade de testagem. "A realização dos testes pode ser feita por profissionais de saúde do SNS ou por entidades subcontratadas".

Marta Temido informa ainda que, em fevereiro, a média diária de testes foi de 39 mil, um número inferior ao mês anterior, mas que estabelece uma clara evolução face às médias de novembro e de dezembro. Dados analisados pela TVI24 em janeiro mostravam que o país era um dos que mais testava a nível europeu.

Portugal registou esta segunda-feira o número mais baixo de novos casos desde o início do ano (1.303 em 24 horas), porém, Marta temido prefere concentrar as atenções nos internamentos em Unidades de Cuidados Intensivos. "É um número ainda muito preocupante", revela.

Temos cerca de 800 internados em UCI (o boletim desta segunda-feira dá conta de 784) e isso causa imensas dificuldades em garantir a estabilidade das redes de cuidados de saúde", diz a ministra da Saúde, destacando que as pessoas vacinadas não devem esquecer as medidas de proteção social.

Neste momento, há já enfermarias que iniciaram a "díficil transição" de se adaptarem aos serviços não -covid. “Esse vai ser um caminho lento e difícil. O Serviço Nacional de Saúde precisa de conseguir responder a essas necessidades” (não-covid), mas os números de internamentos complicam o processo, destaca Temido.

Questionada sobre as sequelas deixadas pelo vírus e se o SNS tem sido capaz de acompanhar este desenvolvimento, a ministra explica que este é um tema em análise, mas garante que os efeitos da covid-19 a longo prazo já eram conhecidos.

Alertámos, desde o início, para as sequelas e para o tempo de recuperação que estes doentes exigem", adianta.

A ministra é ainda confrontada com a falta de resposta da vacinação a pessoas acamadas: "É um tema que está a ser trabalhado com a task-force, no sentido da correta identificação das circunstâncias", diz.