O candidato à presidência do PSD, Paulo Rangel, diz que o Conselho Nacional que decorreu este sábado foi "um exercício de democracia verdadeiramente vivo e interessante". A reunião do partido terminou com a aprovação da proposta do desafiante de Rui Rio, com as eleições internas a serem assim marcadas para 27 de novembro, quando o atual presidente do partido preferia a data de 20 de novembro.

Sobre as discussões que decorreram ao longo do dia, Paulo Rangel fala num "esforço enorme" para chegar a um acordo, acordo esse que "não foi possível".

Conseguiu-se um resultado muito claro no sentido da antecipação das eleições e da marcação do Congresso dentro dos timings previstos", acrescentou.

Falando para os militantes do PSD, Paulo Rangel diz que o objetivo passa por "atacar e denunciar aquilo que foram os seis anos de Governo socialista de António Costa e da Geringonça e propor um projeto alternativo".

Confrontado com as declarações de Rui Rio, que diz que os apoiantes de Paulo Rangel tiveram "medo de abrir os cadernos eleitorais", depois de rejeitada a proposta que alargaria o voto a militantes cujas quotas não estão em dia, o candidato diz que o Conselho Nacional só tinha um objetivo: "Adaptar o calendário interno ao calendário das legislativas", que se realizam a 30 de janeiro.

As únicas regras que podíamos mudar eram de calendário. Realmente houve uma proposta que quis tratar de um assunto que não tem nada que ver com este", disse, apontando a questão dos cadernos eleitorais.

Ainda sobre a intenção de Rui Rio, Paulo Rangel fala em curiosidade: "O mais curioso é que, a pessoa que há mais de 30 anos faz a campanha mais feroz contra a abertura dos cadernos eleitorais, agora, por milagre, apareceu aqui, neste Conselho Nacional, a defender a abertura dos cadernos eleitorais a meio do processo eleitoral".

Paulo Rangel defendeu ter feito “um esforço enorme” para alcançar um consenso com a candidatura de Rio, e que ainda foi possível concordarem na data do Congresso, entre 17 e 19 de dezembro.

Quanto às diretas, tivemos de marcar uma data que cumprisse os direitos de todos os militantes, foi isso que se fez”, afirmou.

Questionado se 27 de novembro lhe oferece “segurança jurídica”, o eurodeputado respondeu afirmativamente, contrapondo que a proposta de Rio para diretas uma semana antes não o fazia.

“O PSD está em perfeitas condições, a partir de agora, não só para a campanha interna, mas para mostrar aos portugueses que tem dois candidatos a primeiro-ministro e denunciar seis anos de governação do PS. Temos espaço para essa campanha positiva”, defendeu.

Rangel deixou um apelo aos militantes - e disse que gostaria que Rio também o fizesse - para “um pagamento massivo de quotas” até às diretas de 27 de novembro, um prazo que termina no dia 17.

António Guimarães