Quase dois dias, foi o tempo que o líder do PSD demorou para se pronunciar sobre a "crise política", ou não, que se instalou no país sobre o tema da contagem do tempo de serviço dos professores.

Rui Rio começou por falar de "golpe palaciano" encenado pelo primeiro-ministro, António Costa: se a proposta, que juntou direita e esquerda no Parlamento, fosse aprovada o país sofreria em cataclismo orçamental e o Governo demitir-se-ia.

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O social-democrata desvalorizou a sucessão de notícias sobre um documento que "não estava finalizado e, muito menos, votado."

"Então para quê a montagem de esta "lamentável encenação", questionou Rio. "O líder do PS quis perturbar a campanha eleitoral para as eleições europeias, porque tem plena consciência que ela está a correr bastante mal ao seu partido", respondeu.

Acrescentando que: "quis fabricar um caso político de vitimização para enganar os portugueses. Um número de ilusionismo eleitoral para atacar o PSD e a mim e criar a falsa ideia de que estamos a aprovar medidas que empurrariam o país para uma orgia orçamental. Uma mentira."

O político fez questão de recordar que "o travão financeiro, que a proposta do PSD contém, para que seja evitado o papão da orgia orçamental com que o Governo hipocritamente acena, foi reprovado com os votos irresponsáveis dos deputados do PS [na quinta-feira]. Para o PSD e para mim é condição inegociável o equilíbrio das finanças públicas."

Rio disse ainda que "o único impacto financeiro, real, decorrente diretamente, das alterações introduzidas no documento que vai ser votado no parlamento, é o que decorre da antecipação em doze meses da contagem dos dois anos que a próprio Governo já assumiu."

Só no final de declaração, de cerca de cinco minutos, ficou claro que o PSD, à semelhança do que fará o CDS-PP, não pretende, assim, aprovar medidas que não contenham uma salvaguarda financeira: 

“Se votaram a favor da proposta do PSD [de salvaguarda financeira], estaremos todos em condições de cumprir o que prometemos aos professores”, disse, deixando a solução nas mãos dos socialistas. 

Não temos duas caras e connosco a palavra é mesmo para cumprir. Se PS nos obrigar a recusar a proposta por irresponsabilidade política e financeira, da sua parte, o PSD assumirá, no seu programa eleitoral exatamente o mesmo compromisso que consta da proposta sobre esta matéria [tempo de serviço dos professores] que fizemos na Assembleia da República", acrescentou Rio em conferência de imprensa.