Um motorista da Vimeca foi espancado esta sexta-feira à noite em Massamá, confirmou a TVI24. A agressão aconteceu no final da carreira e a vítima ficou com a cana do nariz e maxilar fraturados, entre outros ferimentos de "alguma gravidade".

O porta-voz da PSP, Nuno Carocha, confirmou à TVI24 que o motorista agredido é o mesmo que denunciou Cláudia Simões à PSP. Recorde-se que a passageira se queixa de ter sido agredida pelo agente que acabou por detê-la depois de a abordar porque a filha não tinha bilhete, perante um alerta dado pelo motorista do autocarro. 

Segundo o porta-voz da direção nacional da PSP, a agressão desta sexta-feira ocorreu quando o motorista estacionou o autocarro da Vimeca na paragem de Massamá e se preparava para fazer um novo percurso.

O motorista foi transportado para o hospital Amadora-Sintra com ferimentos de “alguma gravidade”, indicou o intendente Nuno Carocha.

A PSP  foi para o local e “já referenciou algumas pessoas”, adiantou o porta-voz. As autoridades não conseguiram ainda confirmar se as agressões foram feitas com recurso a arma branca. 

Segundo o site da Proteção Civil, o alerta para as agressões foi dado às 21:41 de sexta-feira. 

Cláudia Simões diz que temeu pela vida

Cláudia Simões foi detida no domingo na Amadora, numa paragem de autocarro.  Diz ter sido agredida por um polícia e ter temido pela vida, garantindo que vai lutar com todas as suas forças contra a violência e o racismo.

Num comunicado da sua advogada enviado às redações, Cláudia Simões, de 42 anos e mãe de quatro filhos, conta que no passado domingo pensou que ia morrer sufocada na rua diante da filha de 8 anos, vítima de agressões policiais.

Ao longo de três páginas Cláudia Simões conta a sua versão dos factos, dizendo que temeu pela vida quando foi vítima de um episódio de violência policial.

Sempre soube que havia violência policial, que havia agentes racistas na PSP, assim como outros não racistas, mas nunca pensei que atuassem desta forma", diz.

Depois de um desentendimento com o motorista do autocarro no qual queria entrar, supostamente porque a filha não transportava o passe, este chamou um agente da PSP que ali passava tendo sido abordada “agressivamente” e o seu telemóvel foi atirado para o chão.

“Ordenou-me que me sentasse no passeio, pedi-lhe para me sentar antes no banco da paragem, respondeu-me que não, que era no chão. Recusei-me a sentar no chão em plena via pública e perante a minha recusa o agente deitou-me ao chão”, descreve.

Cláudia Simões continua: “No chão sentou-se em cima de mim, na zona lombar, pressionando-me contra o chão, imobilizando-me como também asfixiando-me”.

Numa tentativa de evitar que fosse sufocada, admitiu que mordeu ao agente num braço.

"Tentei evitar que me sufocasse, vendo-me a perder as forças e receando morrer mordi lhe um braço, com as poucas forças que me restavam".

A arguida conta depois as alegadas agressões que sofreu num carro da PSP, onde garante ter sido esmurrada e alvo de ofensas verbais antes de ser assistida no hospital Fernando Fonseca, na Amadora.

Entretanto, o ministro da Administração Interna (MAI) ordenou a abertura de um inquérito sobre a atuação policial no caso da detenção de Cláudia Simões, que resultou numa denúncia contra o polícia de serviço.