O ministério da Defesa confirmou à TVI que os militares portugueses no Afeganistão "estão bem", após duas explosões perto do aeroporto de Cabul.

O contingente de quatro militares do Exército português foram integrados, na terça-feira, no quadro de missões da NATO e da União Europeia para a apoiar a retirada de refugiados. 

Em declarações à SIC esta quinta-feira à noite, João Gomes Cravinho revelou que os quatro militares “atualmente estão empenhados em colocar nos aviões os 38 afegãos identificados e validados” para viajarem para Portugal e que a missão dos quatro miliares “está quase concluída” e sairão de Cabul “dentro de algumas horas”.

O governante acrescentou que dos 56 afegãos que chegarão a Portugal, 18 já estão fora de Cabul e 38 no aeroporto internacional Hamid Karzai.

Temos agora a caminho cerca de 56 [afegãos], que trabalharam diretamente com as forças portuguesas. Haverá também mais, relacionados com as Nações Unidas, e outros, que virão para Portugal nos próximos dias. Penso que os primeiros chegarão amanhã [sexta-feira], mas há grande incerteza ainda relacionado com os voos e os percursos”, salientou João Gomes Cravinho.

Para o responsável pela pasta da Defesa, o “grande objetivo” imediato “é retirar gente de Cabul”, salientando que “isso está a acontecer em direção a múltiplos aeroportos”.

João Gomes Cravinho frisou que “no imediato” Portugal tem capacidade para receber cerca de 300 refugiados.

O médio e longo prazo vai requerer um trabalho intenso, com estas famílias, de apoio na sua integração na procura de empregos”, sustentou.

“Em 31 de agosto haverá uma reunião de ministros da Administração Interna para falar do plano europeu de acolhimento e é natural que no âmbito desse plano venhamos a receber muitos mais”, disse ainda.

Sobre a missão dos quatro militares portugueses em Cabul, o governante salientou “o contacto muito intenso” com vários países aliados como a França, Espanha ou Alemanha para encontrar uma solução para a retirada dos afegãos.

Eles têm feito um trabalho absolutamente notável, em circunstâncias muito difíceis, de trazer para dentro do aeroporto [de Cabul] e colocar em aviões pessoas que trabalharam com as forças nacionais destacadas portuguesas, ou seja, tradutores, interpretes e os seus familiares”, precisou.

João Gomes Cravinho explicou ainda que todos os portugueses em Cabul já terão sido retirados, sem dar “garantia absoluta” devido à presença de um bombeiro no Afeganistão cuja “retração já estava absolutamente assegurada”, mas ainda sem confirmação de já ter deixado o país.

Também o Presidente da República assegurou que os 4 militares estão bem e não foram afetados pelas explosões.

Os quatro militares já estiveram em missões em Cabul. Um deles esteve mesmo no último contingente de tropas portugueses a fazer a segurança no Aeroporto de Cabul e regressou em finais de maio deste ano.

Um ataque suicida fora do aeroporto de Cabul, no Afeganistão, esta quinta-feira, fez pelo menos 13 mortos, incluindo crianças, segundo fonte dos talibãs avançou à Al Jazeera.

Segundo o hospital de Cabul, citado pela Reuters, há pelo menos 30 feridos e seis morreram a caminho do hospital.

Entre os vários feridos estão pelo menos três militares dos Estados Unidos, um deles gravemente, e também vários talibãs.

O porta-voz do Pentágono, John Kirby, confirmou, no Twitter, pelo menos duas explosões.

Paula Costa Simões Rafaela Laja / atualizada as 00:00