Em conferência de imprensa de atualização da situação de pandemia de Covid-19 em Portugal, a diretora-geral da Saúde abordou as orientações relativas aos transportes e às grávidas.

A nova orientação da Direção-Geral da Saúde (DGS) para os transportes coloca "muita ênfase nas superfícies", e Graça Freitas admite que "o grau de incerteza" deve trazer um "grau de precaução" elevado, ainda que a Organização Mundial de Saúde não tenha encontrado evidências do vírus em superfícies e objetos.

Assim, os transportes públicos continuam a ter normas específicas para a higienização das superfícies.

Até haver evidência científica mais sólida, as superfícies e os objetos podem ser considerados, indiretamente, como potencial fonte de transmissão da doença", afirmou.

Sobre as orientações da DGS para as grávidas infetadas com Covid-19, a diretora-geral referiu que o tipo de acompanhamento feito ao parto deve estar relacionado com a capacidade das instalações.

Em última análise, será a equipa clínica a decidir quem poderá estar presente na sala.

Se for uma sala grande, com capacidade de manter o acompanhante protegido, o risco será muito menor do que numa sala de partos mais pequena", acrescentou.

Risco de transmissibilidade em 0,95

O secretário de Estado da Saúde revelou que a o risco de transmissibilidade (RT) entre os dias 13 e 17 de maio ficou em 0,95, o que significa que cada caso de contágio infeta 0,95 pessoas.

Estamos perante uma estabilidade deste indicador de transmissiblidade da infeção", explicou.

António Lacerda Sales afirmou que o número de testes feitos desde o início do surto é de 674 mil, sendo que, desde 11 de maio, a taxa de testes positivos ficou abaixo dos 5%.

O secretário de Estado lembrou que é preciso continuar a olhar para os dados “com cautela”, mas não se pode ignorar que são bons sinais os que surgem relativos à segunda semana da 1.º fase de desconfinamento, entre 13 e 17 de maio.

No último mês, o número médio semanal de internamentos tem diminuído, assim como as unidades de cuidados intensivos seguem “uma tendência semelhante”, sublinhou António Sales.

O número de mortes semanais também tem diminuído, “semana após semana, desde 13 de abril”, mas “não está tudo feito”, sublinhou.

Relativamente à situação no Lar do Comércio, em Matosinhos, a diretora-geral da Saúde afirmou que quando não é possível separar os utentes infetados dos restantes, o grupo que abandona o local é o mais pequeno.

Questionada sobre a alegada falta de higiene dos utentes daquele estabelecimento, Graça Freitas afirmou não ter conhecimento da situação.

Em Portugal, morreram 1.263 pessoas das 29.660 confirmadas como infetadas, e há 6.452 casos recuperados, de acordo com a DGS.

António Guimarães / Com Lusa