O Zmar recebeu esta madrugada o primeiro grupo de cerca de 30 trabalhadores imigrantes que ali vão ser realojados, na sequência da requisição civil decretada pelo Governo.

O autocarro chegou a meio da noite, surpreendendo os proprietários. A GNR mobilizou para a ação um grupo de homens armados e com cães.

As pessoas que chegaram ao Zmar testaram negativo à covid-19, no entanto estavam referenciados como vivendo em habitações sem condições.

Proprietário fala em "entrada à força"

Os migrantes foram transferidos para o complexo durante a madrugada. À TVI, um dos proprietários revela a indignação e contesta o método usado pela GNR.

"Já suspeitávamos que isto iria acontecer, que iria ser tentada a entrada no Zmar à força", isto é inacreditável", diz António Marques, proprietário de habitação no Zmar, ouvido pela TVI às 3 da manhã.

As forças da GNR concentraram-se numa das entradas para chamar a atenção dos proprietários. "O portão e a vedação foram totalmente destruídas", relata António Marques. Enquanto isso, o autocarro com o primeiro grupo de migrantes entrou por outra porta no empreendimento.

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Na sequência da intervenção em Odemira na madrugada desta quinta-feira, o Comando da Guarda esclareceu que a atuação surgiu na sequência de um pedido de apoio dos Serviços da Proteção Civil Municipal de Odemira, para garantir as condições de segurança de cidadãos a deslocar para as instalações do "ZMar Eco Experience".

Nesse alinhamento, e nos termos do Despacho n.º 4391-B/2021, de 29 de abril, da Presidência do Conselho de Ministros e Administração Interna - Gabinetes do Primeiro-Ministro e do Ministro da Administração Interna, por ter sido decretada a requisição temporária, por motivos de urgência e de interesse público e nacional daquele empreendimento, durante a madrugada de hoje, pelas 04h00, a Guarda apoiou a referida operação para garantir as condições de segurança no transporte dos cidadãos em apreço", adiantou a GNR em comunicado.

O complexo Zmar ocupa 80 hectares na freguesia de Longueira-Almograve, integra serviços comuns, como piscina ou ‘spa’, e cerca de 260 casas individuais, das quais perto de 100 pertencem ao próprio empreendimento e as outras 160 são de privados.

ministro da Administração Interna garantiu que os imigrantes seriam alojados exclusivamente em zonas "não privadas".

A requisição civil do Zmar foi decretada depois de duas freguesias de Odemira (Longueira-Almograve e São Teotónio) terem ficado em cerca sanitária. Como solução, o Governo definiu diferentes espaços para o envio dos diferentes grupos de pessoas, entre eles o empreendimentos turístico Zmar e a pousada da juventude de Almograve.

Segundo o responsável da Proteção Civil no Alentejo, José Ribeiro, no Zmar foram realojadas cerca de 30 pessoas e na Pousada da Juventude em Almograve 21.

Em conferência de imprensa após a reunião do Conselho de Ministros na semana passada, o primeiro-ministro, António Costa, sublinhou que "alguma população vive em situações de insalubridade habitacional inadmissível, com hipersobrelotação das habitações", relatando situações de "risco enorme para a saúde pública, para além de uma violação gritante dos direitos humanos".

Redação