O Governo Regional dos Açores determinou esta segunda-feira a realização de uma ação inspetiva por parte da Inspeção Regional da Saúde ao processo de vacinação contra a covid-19 na região, para apurar se existiram irregularidades.

Na sequência das notícias vindas a público, relativamente à administração de vacinas e da receção das listagens dos vacinados neste primeiro momento da primeira fase, foi determinado, por mim, hoje, uma ação inspetiva a cargo da Inspeção Regional da Saúde, no sentido de apurar os factos relativos a vacinas e de eventuais responsabilidades, por alegadas administrações indevidas”, afirmou, em declarações aos jornalistas, o secretário Regional da Saúde e Desporto, Clélio Meneses.

Segundo o governante, o objetivo é “acabar com qualquer tipo de suspeição” e “responsabilizar se houver que responsabilizar alguém sobre esta matéria”.

“Os ruídos, os boatos e os rumores vão surgindo e, para evitar que isto contamine um processo que é necessário que seja transparente, foi determinado que a ação inspetiva é sobre todo o processo de administração de vacinas até este momento”, salientou, adiantando que a inspeção deverá ocorrer “no mais curto espaço de tempo”.

O BE/Açores tinha reivindicado hoje uma auditoria da Inspeção Regional da Saúde ao cumprimento do plano regional de vacinação contra a covid-19.

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Na semana passada, a TVI divulgou listas para a vacinação contra a covid-19 da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo (SCMAH), na ilha Terceira, em que eram incluídos os nomes de quatro pessoas da mesa da instituição, incluindo o provedor, e uma declaração de consentimento assinada pela vice-provedora, que, entretanto, foi nomeada diretora regional para a Promoção da Igualdade e Inclusão Social.

Posteriormente, em conferência de imprensa, o provedor da instituição, António Bento Barcelos, disse que, da mesa da instituição, apenas a vice-provedora foi vacinada contra a covid-19 e por existirem “doses sobrantes em risco de se perderem” num curto espaço de tempo.

Entretanto, a TVI divulgou também declarações de consentimento de uma jurista e de um informático da mesma instituição.

Segundo Clélio Meneses, o plano regional de vacinação contra a covid-19, divulgado em 30 de dezembro de 2020, um dia antes do arranque da vacinação nos Açores, “definia critérios claros e objetivos para vacinação, nomeadamente em que os utentes dos lares e respetivos profissionais teriam prioridade na administração das vacinas”.

Ainda assim, o governante reconheceu que “há situações inesperadas que podem ter criado a necessidade de administrar [a vacina] a pessoas que não constavam das listagens enviadas” e, por isso, é necessário clarificar o que aconteceu.

Percebemos que há situações inesperadas, que decorrem até do facto de as vacinas estarem com ampolas com aparentemente cinco doses. Depois veio a apurar-se que, de acordo com a seringa utilizada, poderiam ser seis doses”, explicou.

Clélio Meneses adiantou ainda que a Autoridade de Saúde Regional já determinou a criação de listas “suplentes” para que “não haja qualquer margem de dúvida”, em caso de restarem doses da vacina, mas admitiu que na administração das primeiras doses ainda não existia essa orientação.

Questionado sobre a validade da vacinação de uma jurista e de um informático da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo, o governante disse que depende de serem ou não funcionários da instituição.

O que o plano regional da vacinação determina é que têm prioridade os utentes e os profissionais da instituição, sem qualquer critério de distinção entre profissionais. Se estamos a falar de profissionais da instituição estão dentro dos critérios determinados”, apontou.

Segundo Clélio Meneses, “a responsabilidade de identificar os vacinados é da respetiva instituição”, mas a lista com os nomes e respetivas funções é enviada à unidade de saúde de ilha, antes da vacinação.

“Se pela listagem enviada é referido alguém que não corresponde aos critérios enunciados e se isso for evidente obviamente não deve ser vacinado”, acrescentou.

Quanto à definição, já este mês, de critérios sobre os membros das mesas das instituições, o secretário regional justificou a decisão com a necessidade de tornar o processo mais transparente.

“Quando se definiu ‘a priori’ os critérios entendeu-se que eram suficientes. Perante as dúvidas que começaram a surgir, e no sentido que esse processo fosse o mais transparente possível, foi clarificado que os membros dos órgãos sociais não estariam dentro do nível dos prioritários”, reforçou.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.316.812 mortos no mundo, resultantes de mais de 106 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 14.354 pessoas dos 767.919 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

/ RL