Durante a noite de quarta-feira, 87 médicos com funções de direção demitiram-se no Hospital de São Bernardo, em Setúbal. A debandada em bloco aconteceu sucede-se à demissão do diretor clínico da unidade, Nuno Fachada, e volta a ser justificada com reivindicações antigas.

Falta de médicos, "perante a falta de condições de trabalho as pessoas tomam outras opções"; recursos, "faltam muitos equipamentos que são essenciais", e sucessivos adiamentos aos planos de obras de ampliação, "as obras de ampliação que já se falam há anos e não são feitas", esclarece o bastonário da Ordem dos médicos.

Miguel Guimarães, em entrevista à TVI24, lembra que na inseridos na demissão em bloco estão "97% dos médicos que exercem funções de direção", o que pode comprometer o funcionamento do Hospital de Setúbal. Entre os demissionários estão "diretores de serviço, diretores de departamento e até os chefes de equipas de urgência".

São eles que mantêm a organização toda do hospital”, alerta Miguel Guimarães.

 

Ainda assim, para já não existe qualquer carência no suporte médico à população. O bastonário lembra que os visados "apresentaram a demissão, mas não deixaram de trabalhar e a assegurar funções".

Miguel Guimarães realça ainda que apesar das demissões estarem intrinsecamente relacionadas com os problemas estruturais da unidade surjem também em solidariedade com Nuno Fachada, diretor clínico que renunciou ao cargo na semana passada.

O dr. Nuno Fachada tem feito um trabalho fantástico no Hospital de Setúbal”, refere o bastonário da Ordem dos Médicos.

 

Entre os três problemas centrais do Hospital de São Bernardo, a Ordem dos Médicos reitera que "o que está a ser mais crítico é a falta de capital humano”.

Quanto ao anúncio de recrutamento de dez médicos especialista para o Hospital de Setúbal, Miguel Guimarães garante que “não é suficiente".

Ontem, o diretor do serviço de obstetrícia e ginecologia disse que estes 10 médicos fossem só para o serviço dele ficavam a faltar mais 13 especialistas. É uma gota de água no meio daquilo que tem de ser resolvido no hospital”, acrescenta.

 A Ordem culmina com um aviso: “Portugal tem de ter uma atitude diferente”. Os médicos ressalvam que “tem de haver uma atenção especial aos hospitais que têm mais carências e que têm mais dificuldade, porque este [Hospital de Setúbal] não é o único”.

Nuno Mandeiro