A ministra da Saúde, Marta Temido, disse esta sexta-feira, na habitual conferência de imprensa, que se segue à divulgação do boletim da Direção-Geral de Saúde (DGS) que "estamos a atravessar a segunda onda de crescimento da pandemia".

Na abertura da conferência, a ministra começou por referir os números de infeções que Portugal registou nas últimas 24 horas - um total de 6.653 casos - , e afirmou que o Norte continua a ser a região mais afetada "e onde existe maior pressão".

Marta Temido revelou ainda que o RT, o risco de transmissão da doença, parece "estar a abrandar ligeiramente" - agora em 1.11 - mas alerta que não devemos baixar a guarda e que se trata de um valor "que deve ser lido com muita prudência, porque é uma variação muito pequena".

Vai demorar tempo, vão demorar semanas depois de atingirmos o pico da doença a sentirmos uma diminuição na procura dos hospitais e ainda mais semanas a sentir-se uma diminuição daquilo que é a letalidade", explicou.

Por isso, alerta a ministra, “seria irresponsável abrandar o esforço no combate à pandemia."

Governo sobe preço por doente covid

O Governo aumentou o preço por doente com covid-19 que paga aos privados, de 1.962 euros diários para 2.495 euros, com o objetivo de “tornar as convenções mais atrativas para os prestadores e assim melhorar o que era a dificuldade de ter respostas para doentes covid", explicou a ministra da Saúde.

A responsável pela tutela esclareceu ainda que, "em abril, não havia casuística de covid, não havia ainda histórico de doentes de Covid-19 e foi estabelecido um preço por aproximação”, mas que agora, já com oito meses de histórico, “foi com base nessa experiência que se fizeram ajustamentos” no preço.

A ministra adiantou ainda que existe já, no Norte, “um conjunto de respostas efetivas no setor das fundações e social”. 

A Fundação de Ensino e Cultura Fernando Pessoa já disponibilizou 45 camas para doentes Covid, o Hospital das Forças Armadas tem 40 camas para doentes covid e o Hospital CUF Porto disponibilizou à ARS do Norte oito camas”, o que perfaz um total de 93 camas.  

"Ninguém deve considerar-se a salvo"

Dos 3.250 óbitos registados por covid-19 até ao momento, 1.090 ocorreram em pessoas cujo domicílio era uma estrutura residencial para idosos, revelou ainda a ministra da Saúde.

Daqui decorre a grande preocupação que continuamos a ter com estas estruturas residenciais e com a incidência da doença nas pessoas que têm mais de 80 anos. E gostava de sublinhar que esta é uma das preocupações que mantemos e para a qual todos temos que contribuir", referiu.

Apesar do número de mortes de situar nas faixas etárias mais altas, a ministra sublinha que todos devemos evitar a doença e contribuir para que não se espalhe.

Gostava de sublinhar que ninguém deve considerar-se a salvo da doença porque se é certo que a doença nos mais novos e nas pessoas relativamente saudáveis tende a ser uma doença ligeira e sem grandes consequências imediatas para a saúde, nós não sabems quais são as consequências no médio e no longo prazo de contrair covid", concluiu Marta Temido.

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Lara Ferin