A ANIMAL quer que as autoridades fiscalizem os outros animais que existem na herdade do cavaleiro tauromáquico João Moura, detido na quarta-feira por suspeitas de maus-tratos, e que apreendam os que possam estar em risco.

Em comunicado, a presidente da organização, Rita Silva, exige que seja feita uma fiscalização aos animais que permanecem na herdade de João Moura, detido por suspeitas de maus-tratos a cães em Monforte, distrito de Portalegre, e que quem denunciou a situação entre em contacto com a ANIMAL.

Na nota, Rita Silva indica que a Animal “tomou conhecimento de que estes casos na herdade de João Moura não são de agora, o que muito lamenta”.

Soubemos que a denúncia que despoletou todo este episódio foi anónima e, no que de nós depender, assim se manterá. Contudo, e para que possamos tentar ajudar os animais que lá ficaram, incluindo cadelas a amamentar e suas crias, apelamos a que a pessoa entre em contacto connosco. A sua identidade nunca será revelada por nós, garantimos, mas queremos iniciar todos os procedimentos legais possíveis para ajudar os outros animais e a ajuda dessa pessoa seria fundamental”, sublinha.

A presidente da organização destaca que a ANIMAL quer “fazer deste caso um caso exemplar”.

Queremos que as pessoas repensem a forma como diferenciam os animais, cujo sofrimento é o mesmo independentemente da espécie a que pertençam. Queremos que o sofrimento atroz daqueles cães não tenha sido em vão”, remata.

A ANIMAL anunciou na semana passada que iria constituir-se assistente neste processo.

Também na semana passada, a organização SOS Animal referiu que iria constituir-se assistente no caso.

Em comunicado, a organização de defesa dos direitos dos animais, que será representada pelo advogado Garcia Pereira, referiu que "corridas estimuladas por treinos negativos, maus-tratos e exploração de cães para obtenção de benefícios financeiros ou para entretenimento humano é errado".

A SOS Animal assinalou que João Moura, "identificado como o maior criador de galgos do país, é um dos principais promotores de corridas de cães em Portugal", tendo sido constituído arguido pelo crime de maus-tratos a cães galgo que cria, vende e usa em corridas.

De relembrar que está a decorrer uma petição promovida por esta organização, com o objetivo de proibir a as corridas de cães em Portugal e que conta já com mais de 14.500 assinaturas. 

Foi criada a 15 de outubro de 2019, altura em que a TVI revelou os maus-tratos que os cães, em particular os galgos, sofriam neste tipo de atividades. No entanto, este movimento ganhou ainda mais força depois do Cavaleiro João Moura ter sido detido por suspeitas de maus-tratos a galgos e, consequentemente, lhe terem sido apreendidos 18 cães encontrados com sinais de subnutrição.

Presente no mesmo dia a tribunal, para ser interrogado, foi-lhe imposto termo de identidade e residência, a medida de coação menos grave e que obrigatoriamente é aplicada a um arguido.

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/ CE