Esta quarta-feira foi apresentada, pela Ordem dos Médicos (OM) e por um grupo de investigadores do Instituto Superior Técnico, uma nova proposta para a matriz de risco da pandemia de covid-19. 

No esboço, enviado ao Governo, os especialistas juntam aos dois indicadores existentes – incidência e índia de transmissibilidade (Rt) – mais três: mortes, internamentos em enfermarias e internamentos em cuidados intensivos. O objetivo é medir a atividade do vírus, ou seja, transmissibilidade, mas também aquilo que é a gravidade da doença.

No entanto, o ministério da Saúde já fez saber que não vai mexer na matriz antes da reunião no Infarmed, agendada para dia 27 deste mês.

Em declarações à TVI24, Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, disse ser "evidente" que são precisos novos indicadores que acompanhem os efeitos do plano de vacinação. 

Ora, numa altura em que a vacinação está a ter um efeito tremendo no sentido positivo (...) é evidente que nós precisamos de um novo indicador, que entre em linha de conta com estes vários indicadores parciais e que nos dê, de facto, um número que nos permita saber em que nível é que estamos, se estamos acima ou abaixo do nível crítico, para podermos tomar as melhores decisões, as melhores medidas para os nossos doentes", explicou. 

O especialista referiu que é preciso ter em contra que a matriz atual dá resultados a cada 14 dias e que, neste momento, "é preciso antecipar" para se poder "responder de forma correta a este vírus". Por essa razão, a proposta apresentada esta quarta-feira reflete resultados em 24 horas, exceto na incidência, que é a sete dias. 

Temos resultados mais atuais, resultados que nos permitem tomar decisões mais rápidas relativamente àquilo que são as medidas mais eficazes para combater a pandemia." 

 

A matriz atual funcionou bem durante uma fase da pandemia, a partir do momento em que nós temos duas coisas novas, por um lado, a vacinação e por outro lado as novas variantes, nós temos que nos adaptar completamente ao vírus", acrescentou. 

Miguel Guimarães lembrou que o vírus da covid-19 "não vai de férias, nem trabalho só à semana ou ao fim de semana", por isso, tem de ser encarado como uma ameaça permanente. 

Cláudia Évora