A "Operação Rota do Cabo" da Polícia Judiciária fez 23 detidos, sabe a TVI. Este é o balanço final da investigação que decorria há já três anos contra a corrupção na legalização de imigrantes.

Entre os detidos estão três advogados, uma inspetora do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, dois funcionários da Segurança Social e dois da Autoridade Tributária. Há ainda mais de uma dezena de detidos, agentes de ligação inseridos nas comunidades estrangeiras que fomentavam a vinda de novos imigrantes com promessas de trabalho e legalização garantida.

Alguns dos detidos estavam já referenciados pela prática do mesmo tipo de crime. É o caso de Sónia Francisco, inspetora do SEF, que estava colocada na delegação de Alverca e estava suspensa de funções na sequência de um processo disciplinar por um esquema semelhante.

Mais de mil estrangeiros terão vindo para Portugal com a promessa de contratos de trabalho. A maior parte tinha como origem o Paquistão e muitos acabavam depois em esquemas de exploração sexual ou laboral em países do espaço Schengen.

No processo de legalização, o imigrante precisava da emissão de um número de contribuinte e de Segurança Social. Para facilitar o processo de cada imigrante - em vez de meses, o processo durava apenas poucos dias -, os funcionários desses serviços do Estado eram corrompidos com quantias de cerca de 200 euros. Os valores pagos terão chegado aos 12 mil euros. 

A megaoperação da PJ envolveu mais de 240 inspetores e vários magistrados do Ministério Público que realizaram várias buscas, domiciliárias e não domiciliárias, para apreensão de documentos. Em causa estão os crimes de associação criminosa, corrupção ativa ou passiva, auxilio à imigração ilegal e falsificação de documentos.