A greve dos médicos, que foi marcada para 23, 24 e 25 de novembro, após ter sido conhecida a proposta do Orçamento do Estado para 2022 (OE2022), pode ser desconvocada se o Parlamento for dissolvido. Os líderes das duas estruturas sindicais envolvidas confirmaram à TVI que, nesse caso, convocarão os órgãos nacionais para tomar a decisão.  

“Não traço cenários, mas [a confirmar-se o chumbo do Orçamento do Estado para 2022] convocaremos o Secretariado Nacional do SIM [Sindicato Independente dos Médicos] para tomar uma decisão”, afirmou à TVI o seu secretário-geral, Jorge Roque da Cunha. "Os portugueses podem contar com a responsabilidade do Sindicato Independente dos Médicos numa altura destas", acrescentou.

Também contactado ao início da manhã desta quarta feira, o presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), Noel Carrilho, afirmou que, “se o Orçamento não for aprovado, será convocado o Conselho Nacional para decidir o que fazer.” 

O cenário está a ser colocado após os anunciados votos contra do Bloco de Esquerda, do PCP e do PEV à proposta do OE, o que levará o Presidente da República a dissolver a Assembleia da República e a convocar eleições antecipadas. A votação da proposta de orçamento está agendada para esta quarta-feira à tarde.

Os sindicatos dos médicos agendaram a greve logo dois dias após a apresentação da proposta do Governo, criticando um Orçamento  que consideram "insuficiente" para o Serviço Nacional de Saúde e para as condições de trabalho "insustentáveis" desta classe profissional.

Caso a crise política progrida nas próximas horas para a dissolução da Assembleia da República, as decisões dos órgãos digirentes do SIM e da FNAM estão dependentes de contactos entre ambos.

Catarina Pereira