O calendário marcava 2 de março de 2020 e o que se viria a revelar inevitável, aconteceu. O ponteiro do relógio batia nas dez horas, a manhã estava tão fria como uma manhã de fim de inverno pode estar e a ministra da Saúde, Marta Temido, iniciava a conferência de imprensa que viria a mudar tudo. Foi naquele dia que, Marta Temido, anunciou os dois primeiros casos de covid-19 em Portugal. Os doentes eram ambos do sexo masculino e foram internados no Porto. 

Um com 60 anos, médico de ofício, terá sido contagiado com covid-19 no decorrer de uma viagem de férias que havia feito a Itália. Apresentou os primeiros sintomas no dia 29 de fevereiro e foi internado no Hospital de Santo António. Na altura, a ministra anunciava que o estado de saúde deste médico era estável. 

O segundo dos casos, um homem na casa dos trinta anos, terá sido infetado no decorrer de uma viagem de trabalho a Valência, em Espanha. Reportou os primeiros sintomas a 26 de fevereiro, estava estável e em isolamento hospitalar.

Na conferência, a líder do ministério da Saúde garantia que as pessoas que estiveram em contacto direto com os dois doentes seriam colocadas sob vigilância, para serem averiguados eventuais casos de contágio. O Governo decidia também aplicar medidas de rastreio aos passageiros que estivessem a chegar ao nosso país em voos com origem em Itália. 

Aos olhos daquele início do mês de março, para imaginar o que estaria para chegar seria necessário ir buscar inspiração aos grandes filmes de ficção científica. As máscaras ainda não eram a realidade com a qual convivemos neste dezembro, o álcool gel não era requisito tão essencial como as chaves de casa na ida para o trabalho, e os abraços ainda eram permitidos. 

Aqueles dois homens foram os primeiros de 378.656 infetados em Portugal, mas como conta a sabedoria popular, depois da tempestade, vem a bonança, e há já também 304.825 recuperados da covid-19. [dados do Relatório de Situação de 22/12/2020]

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