O ano de 2020 foi fortemente marcado pela pandemia da covid-19 em todos os setores da sociedade, e a educação foi um dos que mais sofreu com as diversas restrições impostas pelo Governo para controlar a circulação do vírus.

Com cerca de metade do ano letivo feito com aulas à distância, os alunos acabaram por ter exames nacionais bem diferentes, o que acabou por redundar nos melhores resultados de sempre no ensino secundário.

As notas dos alunos subiram em 2020 devido às novas regras impostas pela pandemia de covid-19: por um lado, os testes tinham perguntas obrigatórias e opcionais, permitindo aos alunos escolher pelas questões em que se sentiam mais seguros, sendo contabilizadas apenas as melhores respostas.

Por outro lado, as provas só eram exigidas a quem quisesse seguir para o ensino superior, porque só contaram para a média de acesso às universidades e politécnicos, tendo deixado de ser obrigatórias para a conclusão do secundário.

O resultado foi uma subida de cerca de dois valores (numa escala de zero a 20) das notas médias dos estabelecimentos públicos e privados, tendo em conta os mais de 217 mil exames realizados no verão de 2020.

O efeito pandemia nota-se em todas as análises, e as escolas subiram as médias de forma considerável. Para se perceber, a pior escola do país em 2020 teve um resultado melhor que as 10 piores de 2019.

No mesmo sentido, qualquer uma das 10 melhores escolas teve um resultado superior ao da melhor escola no período homólogo.

Apenas duas escolas, uma pública e outra privada, obtiveram média negativa nos exames nacionais do secundário em 2020, segundo uma análise feita pela Lusa, que revela que os colégios continuam a ter melhores resultados.

A Escola Secundária José Cardoso Pires, em Lisboa, e o Externato Académico, no Porto, são os únicos estabelecimentos de ensino com um resultado médio negativo nas provas realizadas no verão de 2020, segundo dados do Ministério da Educação tratados pela Lusa tendo em conta as 512 escolas com pelo menos cem provas realizadas.

A média nacional dos alunos dos colégios foi de 14,39 valores (no ano anterior foi de 12,69) e das escolas públicas foi de 12,89 valores (10,95 no ano anterior), segundo uma análise da Lusa, que revela que se mantêm a tendência de subida ligeira da média das notas registadas nos últimos anos.

As notas da 1.ª fase dos exames melhoraram em todas as disciplinas, à exceção de Matemática Aplicada às Ciências Sociais.

Nesta subida média destacam-se disciplinas como Biologia e Geologia ou Geografia A, em que houve um aumento superior a três valores (numa escala de zero a 20).

Para o ‘ranking’ das escolas do ensino secundário com melhores médias, a agência Lusa selecionou apenas aquelas onde tinham sido realizadas pelo menos 100 provas.

Já para chegar às médias das classificações conseguidas nas diferentes disciplinas, assim como as médias por distrito, foram contabilizadas todas as provas realizadas. A análise contempla 225.307 exames realizados.

A pandemia de covid-19 levou o Governo a suspender, no ano letivo de 2019/2020, as provas nacionais do 9.º ano, razão pela qual este ano não existem peças sobre resultados nesse ciclo de ensino.

No secundário, pela primeira vez, os dados enviados pelo Ministério não fizeram qualquer distinção entre alunos internos e externos.

Também este ano, a Lusa não analisou os dados relativos às notas internas dos alunos (CIF) uma vez que os dados disponibilizados pelo Ministério eram provisórios e a sua validação estava ainda em curso pelos serviços.

António Guimarães / com Lusa