Rui Nogueira, da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, apelou este sábado ao Governo para que o processo de vacinação seja três vezes mais rápido e deixou um alerta: Se mantivermos o ritmo de vacinação, Portugal vai demorar 15 meses para vacinar seis milhões de pessoas.

Estamos a ir muito devagar", diz o especialista, sublinhando que o país tem pouca disponibilidade de vacinas. "Adotámos uma estratégia de guardar vacinas, tendo em conta a segunda dose, mas estamos a aguardar muito, mais do que seria desejável".

Nogueira afirma que todo o tempo disponível deve ser utilizado para vacinar a população contra a covid-19, independentemente do dia e da hora. Uma opinião sustentada pelo cálculo do especialista que reitera um ritmo demasiado lento, tendo em conta os objetivos portugueses e comunitários.

Se continuássemos com este ritmo de vacinação, demoraríamos 15 meses para vacinar 6 milhões de pessoas. Isto é inaceitável, não podemos demorar 15 meses como é óbvio, temos de triplicar a velocidade de vacinação", sentencia, destacando que esta maior velocidade não é difícil de se implementar durante a primeira fase de vacinação.

Questionado sobre se esta celeridade desejada é realística, especialmente tendo em conta as condicionantes impostas pelos atrasos na entrega das doses da AstraZeneca, Rui Nogueira sublinha que o processo de vacinação tem "muitas condicionantes", "em primeiro lugar as características da vacina da Pfizer em termos de transporte e de armazenamento". Por isso, diz o médico, o anuncio da aprovação da vacina da AstraZeneca, em conjunto com a Universidade de Oxford, é uma grande esperança: "Com esta vacina podemos ser muito mais céleres a vacinar".

Rui Nogueira sustenta ainda que o objetivo da Task Force de ter 55 pontos de saúde a operacionalizar a vacinação durante o mês de fevereiro é "insuficiente", mesmo admitindo a escassez das vacinas. "Em função dessa disponibilidade, temos de caminhar para uma maior celeridade", volta a sublinhar.

O especialista destaca ainda a inclusão de todas as pessoas com mais de 80 anos na primeira fase do plano de vacinação - anunciado pelo Governo esta semana -, descrevendo a medida como uma "grande notícia".

Esta é das populações mais frágeis, é um grande avanço. Agora, temos de ser muito rápidos a vacinar a população e muito explícitos a contactar as pessoas", diz Rui Nogueira, sublinhando que, durante a primeira fase, é relativamente fácil identificar as pessoas com comorbilidades prioritárias. " Os sistemas estão preparados, não temos é vacinas", remata.