A NASA pode orgulhar-se de ter conseguido em 2018 algumas das descobertas mais importantes na exploração do espaço e na busca de indícios de vida para além da Terra.

Ao longo de um ano, foram vários os momentos que abriram portas ao conhecimento do que existe para além de nós. Em alguns casos, nem precisámos de ir à procura de pistas.

Foi o que aconteceu em janeiro quando a comunidade científica desvendou dois meteoritos que caíram na Terra em 1998 com "ingredientes da vida". Matéria cheia de informação.

Traziam água líquida, aminoácidos e hidrocarbonetos, os primeiros a serem encontrados com esta composição. Vestígios que remontam à infância do Sistema Solar, formado há 4,5 mil milhões de anos.

Através de técnicas de microscopia e raio-x da NASA, os autores do estudo publicado na Science Advances acreditam que os meteoritos tenham origem no planeta-anão Ceres, localizado entre Marte e Júpiter.

Um dos responsáveis por grandes descobertas no espaço foi o telescópio Kepler, que se "reformou" este ano, em outubro, ao ter ficado sem combustível. Durante nove anos, "caçou" mais de 2.600 planetas.

De 2018, as mais recentes análises do Kepler concluíram que 20 a 50 por cento das estrelas visíveis no céu noturno podem ter planetas pequenos, possivelmente rochosos, e semelhantes à Terra em termos de tamanho a orbitarem na zona habitável, de acordo com a NASA.

Ainda nas descobertas do ano, não é só o "Oumuamua" que parece ter nome extraterrestre. Em novembro, a agência espacial admitiu que o misterioso objeto em forma de charuto detetado pelo telescópio Pan-STARRS 1 pode ter origem interestelar, dada a velocidade "excessiva" do mesmo.

Os investigadores acharam, primeiro, que o “Oumuamua" era um cometa, passaram depois a designá-lo como asteróide. Estudaram-no e chegaram à conclusão que podia tratar-se de um objeto espacial que veio de outro planeta para o nosso ou que pode ter origem extraterrestre. Pode ser, portanto, "uma sonda totalmente operacional enviada intencionalmente para a Terra por uma civilização extraterrestre", lê-se no artigo no jornal científico Astrophysical Journal Letters.

Em março, a NASA desvendou, em estudos publicados na Nature, os primeiros mistérios sobre o interior de Júpiter. A sonda espacial Juno mostrou que o que se passa no centro do planeta, composto por 99% de hidrogénio e hélio, é tão estranho e turbulento quanto a superfície.

Os cientistas descobriram que, no centro do planeta, o núcleo líquido de hidrogénio e de hélio gira de modo uniforme, comportando-se quase como um corpo sólido, uma surpresa, pois indica que a atmosfera de Júpiter é mais maciça e profunda do que se imaginava.

Os dados revelaram que os polos são cobertos por agrupamentos geométricos de ciclones em que o polo norte de Júpiter possui uma constelação de nove ciclones e o sul de seis, algo que não se encontra em nenhum outro planeta do Sistema Solar. A velocidade dos ventos chega a ultrapassar os 350 km/h.

Há mais água para lá da Terra

Descobriu-se em agosto que afinal há mesmo água na lua. Três evidências comprovaram a presença na superfície da lua. Nas partes mais escuras e mais frias das regiões polares, cientistas observaram, diretamente, evidências de gelo de água.

São depósitos de gelo distribuídos de forma irregular e podem ser antigos. No sul, a maior parte do gelo está concentrado nas crateras lunares, enquanto o gelo do polo norte é mais amplamente distribuído.

Os dados não só captaram as propriedades reflexivas que esperamos do gelo, como também mediram as moléculas, de modo a diferenciar água líquida, vapor e gelo.

Também no asteróide Bennu uma sonda da NASA descobriu água, já no fim do ano. A sonda OSIRIS-REx descobriu a presença de água neste asteróide primitivo composto pelas mesmas moléculas que deram origem à vida na Terra.

Uma vez que o Bennu é demasiado pequeno para ter água, esta descoberta indica que, em algum momento, se deu a presença deste líquido em algum corpo paralelo, seguramente um asteroide muito maior”, salienta a agência espacial norte-americana.

Alguns dos sete planetas extrassolares que orbitam a estrela anã vermelha TRAPPIST-1 poderão ter mais água do que a Terra, soube-se em fevereiro.

Este sistema planetário é o que tem o maior número de planetas do tamanho da Terra, constituídos principalmente por rochas.

Alguns destes corpos podem ter até cinco por cento da sua massa sob a forma de água", isto é, quase 250 vezes mais água do que os oceanos da Terra, segundo Brice-Olivier Demory, da Universidade de Berna, na Suíça, que analisou os dados.

Oxigénio a mais de 13 mil milhões de anos-luz

Íamos a meio do ano quando foi detetado, pela primeira vez, hélio num planeta fora do Sistema Solar. Foi através do telescópio espacial Hubble que os astrónomos encontraram o segundo elemento químico mais abundante do Universo na atmosfera de um exoplaneta com quase o mesmo tamanho de Júpiter, mas que está a 200 anos-luz da Terra.

O hélio é o segundo elemento mais comum no Universo, depois do hidrogénio. É também um dos principais constituintes dos planetas Júpiter e Saturno. Contudo, até agora, não tinha sido detetado em exoplanetas", afirmou a astrónoma Jessica Spake, da Universidade de Exeter, no Reino Unido, que opera o Hubble em cooperação com a congénere norte-americana NASA.

Bastante mais longe, numa galáxia a 13 mil milhões de anos-luz, foi encontrado oxigénio, o mais distante do espaço. São traços de quando o Universo ainda "dava os primeiros passos".

As observações foram feitas com o ALMA, um radiotelescópio operado no Chile pelo Observatório Europeu do Sul, organização astronómica da qual Portugal faz parte. Uma equipa de astrónomos reconstruiu a história da formação de estrelas naquela galáxia utilizando dados do Hubble e Spitzer, ambos da NASA.

E se afinal Marte pudesse ter oxigénio suficiente para sustentar vida? Num estudo da NASA de outubro, Vlada Stamenkovic desenvolveu um modelo que calcula a quantidade de oxigénio que pode ser dissolvido em águas salgadas existentes em Marte e sugeriu que o planeta vermelho tem o suficiente para sustentar vida microbiana.

Foram realizados testes com a água salgada presente em Marte para saber se, independentemente da temperatura e da fluidez, existe oxigénio suficiente para suportar vida microbiana. Todos os testes realizados tiveram resultados positivos.

Ficámos absolutamente espantados", afirmou Vlada Stamenkovic sobre a reação inicial da equipa. “Voltei a recalcular tudo cinco vezes para ter a certeza de que era uma coisa real", destacou, acerca do estudo publicado na Nature Geosciense.

Apesar das várias descobertas de componentes essenciais ao desenvolvimento de vida fora do planeta azul, nomeadamente em Marte, onde os dados são mais detalhados, a NASA descobriu que a lua de Saturno Enceladus é o único sítio do nosso sistema solar que reúne todas as condições necessárias, tendo maior probabilidade de suportar vida.

Através de leituras feitas pela sonda Cassini, as descobertas permitiram concluir que aquela lua é o único sítio que “satisfatoriamente, tem todos os requisitos para a existência de vida como nós a conhecemos”, revelou Glein, investigador no Instituto de Pesquisa do Sudoeste, no Texas.