Durante as últimas décadas, Hollywood tem sido assombrada com o rumor de que a atriz Natalie Wood teria sido violada, pelo menos duas vezes, por um dos atores mais famosos dos anos 60. 

Aquando do crime o agressor tinha o dobro da sua idade de Natalie, na altura com 16 anos. A violação teria ocorrido num hotel em Los Angeles, mas até agora era desconhecida a identidade do predador.

No livro de memórias Little Sister, a irmã mais nova de Natalie, Lana Wood, identificou Kirk Douglas como responsável.

Lembro-me que a Natalie estava, particularmente, bonita quando a nossa mãe e eu a deixámos naquela noite na entrada do Chateau Marmont”, escreve Lana Wood.

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Segundo Lana, o crime terá ocorrido durante o verão de 1955, quando Natalie estava a gravar o filme The Searchers.

O encontro entre a atriz e Kirk Douglas terá sido organizado por Maria Zakharenko, mãe de Natalie e Lana Wood, que “acreditou que muitas portas poderiam ser abertas, com apenas um acenar da famosa e bonita cara do ator”, de acordo com a irmã mais nova.

Pareceu que muito tempo tinha passado até que Natalie regressou ao carro e me acordou quando bateu com a porta. (…) Ela estava com péssimo aspeto. Estava despenteada e muito revoltada, começou imediatamente a sussurrar com a nossa mãe. Não consegui ouvir nem entender o que diziam. Algo grave teria acontecido à minha irmã, mas o que quer que tivesses acontecido, aparentemente, eu era demasiado nova para me dizerem”, acrescenta.

Lana revela que Natalie nunca lhe explicado o que tinha acontecido até ambas serem adultas. Ao descrever como foi levada até ao quarto de Kirk Douglas, disse à irmã: “E… ele magoou-me, Lana”.

Foi como se tivesse sido uma experiência na terceira pessoa. Estava aterrorizada e confusa”, recorda Lana. A irmã mais nova, que agora tem 75 anos e na altura tinha oito, lembra-se de Natalie e a mãe concordarem que acusar publicamente Kirk Douglas seria o fim da carreira da atriz.

“Aguenta”, terá sido o único conselho da mãe Maria Zakharenko, segundo o livro de memórias.

Após a morte de Natalie em 1981, quando o seu corpo foi encontrado junto à ilha de Catalina, na California. Inicialmente, as autoridades consideraram que a morte tinha sido provocada por um afogamento acidental, mas a tese alterou-se após anos de escrutínio e o surgimento de novas testemunhas. O marido da atriz na altura, Robert Wagner, passou a ser visto como “uma pessoa de interesse” para a investigação. Lana Woods foi uma das pessoas que acusou Wagner pela morte da irmã.

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No livro, Lana revela que prometeu à irmã não revelar publicamente o abuso sexual por parte de Douglas. No entanto, explica que como o pai de Michael Douglas morreu em 2020, com 103 anos, o cenário alterou-se.

Com ninguém ainda vivo para proteger, tenho a certeza que ela [Nataluie Wood] me perdoaria por finalmente quebrar a promessa”, pode ler-se em Little Sister.

 A toda a polémica, Michael Douglas, filho de Kirk, reagiu apenas através do agente: “Que ambos descansem em paz”.

À Associated Press, em dezembro de 2016, Kirk Douglas chegou a reconhecer que era um mulherengo e que tinha sido um marido infiel, um ano antes do surgimento do movimento #MeToo.

Nuno Mandeiro