Os Óscares voltaram a ser muito brancos e a ignorar as mulheres em categorias importantes. É assim que a imprensa especializada olha para a edição de 2020 dos prémios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, não poupando nas críticas à falta de diversidade e representatividade nas nomeações. As estatuetas são entregues este domingo.

Há cerca de um ano, escrevíamos assim no texto sobre a gala dos Óscares: “Longe vai o tempo em que a hashtag #OscarsSoWhite (Óscares tão brancos) dominava as redes sociais em noite de prémios da Academia. A 91.ª edição dos Óscares fica para a História como a gala em que houve um maior número de vencedores negros”.

Porém, num ano tudo mudou e, se no que toca aos Óscares há algumas previsões difíceis de fazer, esta não é uma delas: o cenário de 2019 não se vai repetir este domingo. É que este ano, a ausência de artistas negros entre os principais nomeados voltou a dar que falar e a gerar muitas críticas.

No caso dos atores, entre os 20 nomeados há apenas um negro, que é na verdade uma atriz – Cynthia Erivo, que interpreta a ativista negra Harriet Tubman no filme "Harriet". Questionada sobre este facto, Erivo afirmou que espera que este seja um ponto de viragem porque o assunto está a ser falado "em voz alta" e "podemos começar a fazer mudanças".

De fora ficaram nomes como Lupita Nyong’o (“Us”) e Jamie Foxx ("Just Mercy"), ambos nomeados para os prémios do Sindicato de Atores (os SAG Awards), Alfre Woodard (“Clemency”) e Eddie Murphy (“Dolemite Is My Name”).

Mas as críticas à falta de diversidade na nomeação dos atores vão mais longe, destacando-se a ausência de latinos, como Jennifer Lopez (nomeada para os Globos de Ouro, para os Prémios da Crítica e para os prémios do Sindicato de Atores por “Hustlers”), ou de atores asiáticos como Awkwafina (que venceu o Globo de Ouro com “A Despedida”) e Song Kang-ho (“Parasitas”).

As estatuetas estão mais brancas, mas desengane-se se pensa que este é o único aspeto negativo apontado à edição de 2020. Apesar de termos assistido a uma montra cinematográfica repleta de obras realizadas por mulheres, não há nenhum nome feminino na categoria de Melhor Realização.

O caso mais evidente é o de Greta Gerwig, que realizou o muito elogiado pela crítica “Mulherzinhas”. De resto, Gerwig foi a única realizadora nomeada pela Academia nos últimos dez anos pelo filme "Lady Bird", em 2018. 

Mas há outras realizadoras, como Lulu Wang (“A Despedida”), Marielle Heller’s ("A Beautiful Day in the Neighborhood") e Lorene Scafaria (“Hustlers“), que também podiam ter figurado entre os nomeados nesta categoria.

A 92.ª cerimónia dos Óscares ocorre na madrugada deste domingo, no Teatro Dolby, em Los Angeles.

O filme "Joker", de Todd Phillips, lidera a corrida aos prémios, com 11 nomeações.

Mas na categoria principal, a de Melhor Filme, "1917", de Sam Mendes, parece estar mais bem posicionado para vencer depois de ter vencido nos Globos de Ouro, nos prémios do sindicato de produtores dos EUA e nos prémios britânicos Bafta. 

Sofia Santana