Pardal Henriques desafiou, esta quarta-feira, em direto para vários meios de comunicação, os responsáveis da ANTRAM a encontrarem-se com representantes dos sindicatos dos motoristas para chegarem a um acordo “com cedências de parte a parte" para que a greve possa cessar.

O advogado reagia às declarações do Governo, com fortes críticas ao eventual alargamento da requisição civil.

Se o Governo continuar com esta opção e não encontrarmos uma solução para o problema, a tendência é piorar. Para terminar com esta greve, para terminar de uma vez por todas com este caos que vai aumentar, porque os postos de gasolina vão começar a ficar secos, eu queria lançar aqui um desafio público, já que estão todos a filmar, ao Dr. André Almeida e à ANTRAM".

Amanhã estarei na DGERT às 15 horas, para que nos sentemos à mesa e encontremos uma proposta que agrade às duas partes, para fazermos terminar isto. Para terminar  com esta palhaçada”, desafiou o porta-voz do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP)

Para Pardal Henriques, se não houver entendimento, a responsabilidade do que poderá acontecer no futuro cabe ao Governo e à ANTRAM. 

“A responsabilidade do que virá daqui para a frente cabe única e exclusivamente à Antram, ao Governo e ao dr. André Almeida, que tem proferido expressões lamentáveis contra estes motoristas”, frisou.

Por seu lado, Pardal Henriques garantiu que as negociações só decorrerão com o advogado presente e não com o presidente do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), como a ANTRAM pretende.

Pardal Henriques afirmou que "mais uma vez os ministros insistem com uma requisição de serviços mínimos ilegal" e que os trabalhadores são obrigados "a trabalhar praticamente com uma arma apontada à cabeça". Disse ainda que "aumentar a requisição civil de uma forma mais abrangente, é acabar completamente com o direito à greve". 

Admitiu ainda que os camionistas não vão cumprir serviços mínimos nem a requisição civil, em solidariedade para com os 11 colegas que foram notificados por não terem trabalhado esta terça-feira, frisando que o Governo "conseguiu identificar nestes trabalhadores 14 criminosos".

Temo pelo futuro do direito laboral de todos os portugueses, porque o que está a ser feito é um tubo de ensaio para experimentar aquilo que poderá acontecer com todas as próximas greves", acrescentou.

Os motoristas de matérias perigosas e de mercadorias cumprem esta quarta-feira o terceiro dia de uma greve por tempo indeterminado, que levou o Governo a decretar uma requisição civil na segunda-feira à tarde, alegando incumprimento dos serviços mínimos.

Na terça-feira, o ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, disse que 14 trabalhadores não cumpriram a requisição civil decretada pelo Governo.

Esta manhã, o porta-voz do sindicato dos motoristas de matérias perigosas disse que os trabalhadores não vão cumprir serviços mínimos nem a requisição civil, em solidariedade para com os colegas que foram notificados por não terem trabalhado na terça-feira.

A greve que começou na segunda-feira, por tempo indeterminado, foi convocada pelo Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), com o objetivo de reivindicar junto da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram) o cumprimento do acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial.

Motoristas: Governo disponível para acolher eventual reunião entre sindicatos e ANTRAM

O Ministério do Trabalho disse esta quarta-feira que a Direção-geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT) está "naturalmente disponível" para acolher uma eventual reunião na quinta-feira entre os sindicatos dos motoristas e a associação patronal ANTRAM.

Se as partes (sindicatos e Antram) quiserem reunir, a DGERT está naturalmente disponível, em qualquer ocasião, como aliás sempre esteve", adiantou fonte oficial do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social à Lusa.