O porto de Setúbal continua praticamente parado ao 14.º dia de greve dos estivadores e as viaturas da Autoeuropa continuam retidos dentro das instalações. Em protesto contra a falta de contrato para 90% dos trabalhadores portuários, os estivadores dizem que não vão desmobilizar até "vir uma solução dos patrões".

"Até resolverem a situação do que foi dito de meterem aquele pessoal estamos parados. Até vir uma solução dos patrões, estamos parados. Aqui, na parte da AutoEuropa, estamos totalmente parados”, afirmou um dos trabalhadores em greve à TVI24.

Esta situação já levou ao atraso de entrega de mais de 8.000 veículos produzidos na Autoeuropa, tendo a empresa recorrido a portos alternativos, e levou mesmo o Governo a pronunciar-se sobre a situação.

Sem revelar qual o impacto na economia da greve, o ministro Adjunto e da Economia Pedro Siza Vieira deu conta de que o Governo está a tentar reduzir os efeitos negativos da paralisação. Para isso, o Governo está em contacto com a Autoeuropa para assegurar que o escoamento da empresa continua apesar da greve no Porto de Setúbal.

Siza Vieira, que espera que "a situação se possa vir a resolver a contento de todas as partes", garantiu ainda que "tem alternativas no sistema portuário" e que o Governo está "em contacto com a empresa no sentido de assegurar que as necessidades de escoamento da produção continuam a ser satisfeitas".

No dia 27 de outubro, a Operestiva, Empresa de Trabalho Portuário de Setúbal, e a Yilport Setúbal (Sadoport) tentaram celebrar um contrato de trabalho sem termo com 30 dos 93 trabalhadores eventuais em causa, mas apenas dois aceitaram as condições propostas.

Mais de 90 trabalhadores eventuais do Porto de Setúbal que são contratados ao turno, alguns há mais de 20 anos, não comparecem ao trabalho desde 5 de novembro, situação que deixa o Porto de Setúbal praticamente parado, uma vez que os operadores portuários em causa têm apenas cerca de 10% de trabalhadores efetivos.

A maioria dos trabalhadores portuários, cerca de 90%, não tem qualquer vínculo com os operadores portuários, nem quaisquer regalias além do salário que auferem, e são contratados ao turno, apesar de exercerem a atividade praticamente todos os dias.

A maioria dos trabalhadores eventuais contratados regularmente pela Operestiva reivindica um contrato coletivo, a negociar entre o Sindicato dos Estivadores e os operadores portuários.