A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a continuidade da toma da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca "neste momento", anunciou nesta quarta-feira.

O comité de especialistas da OMS para a segurança de vacinas continua a analisar os casos de trombose e embolia pulmonar registados após a toma da vacina da AstraZeneca, mas, tal como a Agência Europeia do Medicamento, considera que os benefícios superam os riscos e, nesse sentido, que a toma da vacina não deve parar.

Neste momento, a OMS considera que os benefícios da vacina da AstraZeneca prevalecem sobre os riscos e recomenda que a vacinação continue", consta de um comunicado.

Esta posição surge um dia depois de se ter reunido à porta fechada sobre esta matéria.

O comité da OMS sobre Segurança de Vacinas está a avaliar cuidadosamente os últimos dados disponíveis relativos à vacina da AstraZeneca. Assim que essa revisão for concluída, a OMS irá comunicar imediatamente as descobertas ao público", indicou o comité da OMS.

A OMS lembrou, ainda, que os eventos tromboembólicos ocorrem com frequência.

O tromboembolismo venoso é a terceira doença cardiovascular mais comum a nível global”, apontou, sublinhando que "isto não significa necessariamente que os acontecimentos estejam ligados à própria vacinação, mas é uma boa prática investigá-los”.

Na terça-feira, em conferência de imprensa online, desde Bruxelas, para fazer um ponto da situação sobre potenciais efeitos secundários da vacina desenvolvida pela farmacêutica anglo-sueca em parceria com a Universidade de Oxford, a diretora executiva do regulador europeu, Emer Cooke, disse estar "firmemente convencida" de que os "benefícios superam os riscos dos efeitos secundários" e que as reações adversas registadas podem ser "uma coincidência", uma vez que este é um sintoma relativamente comum entre a população geral, inclusive maior entre aqueles que não tomaram a vacina, ainda que não possa ser excluído o facto de poder tratar-se de uma causa-efeito.

Os "episódios raros", segundo qualificação da Agência Europeia do Medicamento, levaram à suspensão da administração da vacina da AstraZeneca em vários países da Europa, incluindo Portugal.

Catarina Machado