A União Europeia (UE) decidiu, nesta segunda-feira, fechar o espaço aéreo e qualquer aeroporto dos 27 Estados-membros à Bielorrússia, após o desvio para Minsk de um voo comercial da Ryanair com destino à Lituânia, com o objetivo de deter um jornalista, Roman Protasevich.

Os líderes da UE concordaram, esta noite, em reunião de emergência em Bruxelas, aplicar um conjunto de sanções contra a Bielorrússia e também sanções individuais depois do que consideram ser uma atuação sem precedentes e que está a ser apelidada por muitos de terrorismo de Estado.

Bruxelas pede, também, às companhias de aviação europeias para evitar o espaço aéreo bielorrusso.

Em causa está o desvio, no domingo, para Minsk de um voo comercial da Ryanair, com 120 passageiros a bordo, a meio de uma viagem entre Atenas (Grécia) e Vilnius (Lituânia), que culminou com a detenção do jornalista e ativista bielorrusso Roman Protasevich.

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Os líderes europeus decidiram, de forma unânime, “pedir ao Conselho para adotar as medidas necessárias para banir a entrada no espaço aéreo europeu de companhias aéreas da Bielorrússia e impedir o acesso dessas transportadoras aos aeroportos da UE”, segundo a informação divulgada à imprensa.

Decidiram, também, “pedir às companhias aéreas sediadas na UE para evitar sobrevoar a Bielorrússia” e ainda solicitar “ao Conselho para adotar novas sanções económicas específicas”.

Nessa tomada de posição, os 27 exigem ainda uma “investigação urgente” por parte da Organização da Aviação Civil Internacional ao incidente, bem como a “libertação imediata” de Roman Protasevich e da sua namorada, e ainda a sua “liberdade de circulação”.

O jornalista Roman Protasevich, de 26 anos, cujo canal Nexta na rede social Telegram se tornou a principal fonte de informação nas primeiras semanas de protestos antigovernamentais após as eleições presidenciais de agosto de 2020, viajava de Atenas para Vilnius.

Protasevich acabou detido pelas autoridades bielorrussas, quando os cerca de 120 passageiros do avião da Ryanair foram obrigados a sair do avião desviado para Minsk devido a uma suposta ameaça de bomba.

Catarina Machado