O jornalista bielorrusso Roman Protasevich, detido em Minsk, após o desvio do voo comercial em que seguia com destino à Lituânia, estará a colaborar com as autoridades do seu país e terá "confessado" as acusações de que era alvo, segundo um vídeo divulgado pela televisão estatal, nesta segunda-feira.

Olá, o meu nome é Roman Protasevich. Fui detido ontem [domingo] no aeroporto internacional de Minsk. Estou no centro de detenção de Minsk. Posso confirmar que não tenho qualquer problema de saúde, incluindo problemas de coração. Os agentes da polícia trataram-me corretamente e de acordo com a lei. Continuo a cooperar com a investigação e confesso ter organizado os protestos em massa que ocorreram na cidade de Minsk", afirmou Roman Protasevich no vídeo, citado pela agência de notícias francesa AFP.

 

Em novembro de 2020, o Comité de Investigação acusou Roman Protasevich e Stepan Putilo, fundadores do canal Nexta, de organizarem motins e incitarem ao ódio contra funcionários e a polícia. Na sequência dessa acusação, os dois elementos foram incluídos na lista de terroristas e o poder judicial bielorrusso considerou a Nexta uma organização extremista.

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Aos 26 anos, Roman Protasevich é um dos principais rostos da revolta contra Aleksandr Lukashenko, que começou a 9 de agosto, depois de o presidente ter sido reeleito, numas eleições envoltas em polémica e contestação.

O jornalista, cujo canal Nexta na rede social Telegram se tornou a principal fonte de informação nas primeiras semanas de protestos antigovernamentais após as eleições presidenciais, viajava de Atenas para Vilnius, na Lituânia, quando foi detido, após o desvio para Minsk do avião comercial em que seguia.

Protasevich acabou detido pelas autoridades bielorrussas e os cerca de 120 passageiros do voo da Ryanair foram forçados a submeter-se a novo controlo em Minsk devido a um suposto aviso de bomba.

Desde o início dos protestos na antiga república soviética, centenas de jornalistas foram detidos e quase 20 estão ainda presos. Já esta semana foram detidos vários funcionários e repórteres do popular website da oposição tut.by, cujo acesso foi bloqueado no âmbito de um caso de evasão fiscal.

Ainda segundo a imprensa local, o ativista da oposição Vitold Ashurok, que cumpria uma pena de cinco anos por participar em protestos contra Lukashenko, morreu esta semana na prisão em circunstâncias consideradas estranhas.

Entretanto, Aleksandr Lukashenko promulgou uma lei de segurança nacional que alarga os poderes da polícia e de outras forças estatais e que podem utilizar armas militares para reprimir a desordem.

Catarina Machado