À terceira, não foi de vez: o Parlamento britânico voltou a rejeitar o acordo do Brexit negociado por Theresa May com a União Europeia.

Houve 344 votos contra o acordo e 286 a favor. Com isto, por uma diferença de 58 votos, o Reino Unido terá de sair da UE sem acordo. O Brexit fica assim agendado para 12 de abril, dentro de duas semanas.

Entretanto, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, agendou uma cimeira europeia para 10 de abril.

Na sequência da rejeição do Acordo de Saída pela Câmara dos Comuns, decidi convocar um Conselho Europeu para 10 de abril”, anunciou Tusk na sua conta na rede social Twitter.

A única maneira de não haver Brexit sem acordo logo a 12 de abril é o governo britânico pedir uma extensão longa do artigo 50, que terá de ser aprovada por todos os restantes Estados-membros da UE e implicará a participação do Reino Unido nas próximas eleições europeias, no final de maio.

A UE já tinha avisado que qualquer extensão do artigo 50 terá de ser acompanhada por uma explicação por parte de Londres sobre o que fazer para resolver este imbróglio.

Na última terça-feira, o Parlamento britânico aprovou a mudança da data do Brexit decidida pela Comissão Europeia, depois do pedido de adiamento solicitado pela primeira-ministra britânica. 

Se houvesse saída com acordo, aconteceria a 22 de maio. Se não houvesse acordo, a 12 de abril. É o que irá então, pelo que está agora previsto, acontecer.

A data inicial era precisamente hoje, sexta-feira, 29 de março, mas como se vê o processo não tem sido nada fácil. O parlamento britânico andou meses e meses sem se entender. Ainda esta semana se viu: foram chumbadas todas as alternativas ao acordo negociado por May.

O acordo de saída, de 585 páginas, estabelecia os termos da saída do Reino Unido da UE para que se faça de forma ordenada e estabelece um quadro jurídico quando os Tratados e a legislação da UE deixarem de se aplicar ao Reino Unido.

Incluía um protocolo para a Irlanda do Norte, um capítulo sobre os direitos dos cidadãos europeus no Reino Unido e britânicos residentes na UE, um período de transição até ao final de dezembro de 2020 e o pagamento de uma compensação financeira pelo Reino Unido pelas obrigações assumidas enquanto membro da União Europeia, cujo valor o governo britânico estima ser entre 35 e 39 mil milhões de libras (40 a 45 mil milhões de euros).

Ora, esse acordo e a Declaração foram chumbados a 12 de março por 391 votos contra e 242 votos a favor, uma diferença de 149 votos, repetindo o chumbo de janeiro por 432 votos contra e 202 contra, uma margem histórica de 230 votos.