Segue a polémica com a vacina da AstraZeneca na União Europeia. A incerteza sobre a eficácia do produto da farmacêutica nos cidadãos maiores de 65 anos permanece e há receios entre os profissionais de saúde, o que leva cidadãos de muitos países a optarem por declinar a vacinação, escolhendo outras opções.

É o que está a acontecer na Alemanha e em França, onde grande parte da população chamada para ser vacinada prefere receber a vacina da Pfizer, que além de ter apresentado resultados suficientemente sólidos junto dos mais idosos, também registou uma eficácia mais alta após a realização dos ensaios clínicos.

Da Alemanha chegam vários relatos de que oficiais começam a apelar à população para aceitar a vacina da AstraZeneca, desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford. Segundo o Yahoo News, centenas de pessoas recusaram a vacinação com este produto, o que acabou por levar a que várias doses se tenham estragado.

O ministro alemão da Saúde transmitiu, na semana passada, uma mensagem de confiança. Jens Spahn afirmou que "seria vacinado com aquela vacina imediatamente", perante a relutância de vários profissionais de saúde em receber a vacina. Até agora ainda não o fez.

Segundo o responsável, a vacina da AstraZeneca é segura e eficaz, opinião que parece ser diferente de muitas pessoas que deviam ter recebido a injeção.

Como muitos outros países europeus, a Alemanha não dá opção às pessoas sobre qual a vacina que vão receber, numa altura em que já se administram três vacinas diferentes na União Europeia, que ainda antes da AstraZeneca aprovou os produtos da Pfizer e da Moderna.

Ainda esta quarta-feira, o cenário de preferência foi confirmado pelo próprio ministro. Segundo Jens Spahn, apenas 15% das vacinas da AstraZeneca que a Alemanha recebeu é que foram administradas. Na sequência do caso, a chanceller Angela Merkel já pediu à população que confie na vacina.

Apesar de não escolherem qual a vacina que recebem, grande parte das pessoas chamadas para vacinação com doses da AstraZeneca estão a faltar à marcação.

Segundo as contas do executivo, apenas 200 mil das mais de 1,5 milhões de doses foram administradas, com centenas delas a serem desperdiçadas depois de recusas por parte da população.

Adicionalmente, o governo anunciou que esperava mais 16 milhões de doses da vacina da AstraZeneca, parte que corresponde a um contrato inicialmente fixado em 34 milhões de doses, mas que não será cumprido por causa das dificuldades de produção, que também afetam Portugal.

Ao todo, a Alemanha deve receber perto de 56 milhões das 300 milhões de doses contratualizadas entre a AstraZeneca e a União Europeia, quase 19% do bolo total para os 27 Estados-membros.

Estes números explicam a urgência do governo alemão em acelerar a confiança da população na vacina, da qual dependem para atingir a imunidade de grupo no prazo estimado, que é o final do verão. Em situação semelhante está Portugal, sendo que o Governo já admitiu que a capacidade de produção e a eficácia da vacina da AstraZeneca serão essenciais para que esse mesmo objetivo se atinja no nosso país.

Situação semelhante acontece em França, bem como noutros países da União Europeia, onde os profissionais de saúde resistem à vacinação com a vacina da AstraZeneca, isto depois de terem sido detetados efeitos secundários.

Áustria, Bulgária ou Suécia também têm enfrentado resistências na vacinação de profissionais de saúde com a vacina da AstraZeneca, segundo a agência AFP.

António Guimarães