"Honrado" e ao mesmo tempo "desafiado". É assim que se sente Fernando Haddad, candidato do Partido dos Trabalhadores, que na hora da verdade conseguiu passar à segunda volta. Se as últimas sondagens admitiam que Jair Bolsonaro, o candidato de extrema-direita, poderia ganhar logo à primeira volta, isso não se verificou: com 99% dos votos apurados, obteve 46,27% e Haddad 28,94%. Ele, que veio substituir Lula da Silva nesta corrida, já avisou que vai agarrar a oportunidade e começar a fazer campanha já amanhã.

Sinto-me extremamente honrado pelos votos que recebi hoje que garante o Partido dos Trabalhadores no segundo turno. Sinto-me também desafiado pelos resultados que são bastante expressivos, no sentido de nos fazer atentar dos riscos que a democracia corre. A oportunidade do segundo turno é inestimável, que o povo nos deu, precisamos de aproveitar com sobriedade e sentido de responsabilidade".

Ainda antes disso, o candidato do PT lembrou Lula da Silva, preso por corrupção, e que hoje não pôde votar. Lembrou e agradeceu a sua "maior liderança", recolhendo amplos aplausos dos seus apoiantes que por diversas vezes gritaram que "o Brasil é dos trabalhadores".

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Veio substituí-lo, as sondagens ainda ameaçaram cair na primeira volta, mas está garantido já na segunda volta. Quer constituir governo e espera apoio do povo na segunda volta. Quer convencê-lo desde já já. "Iniciaremos amanhã campanha para sermos vitoriosos no segundo turno".

Diz que a "soberania nacional e popular" são "dois conceitos indissociáveis, acima de qualquer outro interesse" e dramatizou a situação, ao ponto de dizer que a democracia está em risco, se Bolsonaro vier a tomar o poder.

Queremos unir o país em torno desse conceito, achamos que há muita coisa em jogo no Brasil de 2018, diferente do que aconteceu desde 1989 para cá. Já tivemos sempre em segundo lugar quando houve segundo turno, ou quando não houve. Participámos em todas. Essa de 2018 coloca muita coisa em jogo, muita coisa em risco, o próprio pacto da Constituinte está em jogo com as ameaças que sofre diariamente".

Rapidamente Bolsonaro reagiu, no Twitter:

O Partido dos Trabalhadores financiou ditaduras via BNDES; anulou o legislativo no mensalão; tem tesoureiros, marketeiros e ex-presidente na cadeia por corrupção; quer acabar com a Lava Jato, além de controlar a mídia e internet. Se alguém ameaça a democracia, esse alguém é o PT!"

Haddad garante que tem uma "arma": "Vamos para o campo democrático com uma única arma, o argumento. Vamos com a força do argumento para defender o Brasil e o seu povo". Promete "unir os democráticos do Brasil, unir os pobres deste país tão desigual". Deixou a indicação de que Ciro Gomes (que ficou em terceiro lugar na primeira volta, com 12,51% dos votos), Marina Silva (1%) e Boulos (0,58%) "mantiveram contacto" com ele e a sua equipa.

Reveja aqui o acompanhamento AO MINUTO da primeira volta das eleições presidenciais brasileiras

Terminou celebrando "a democracia, a liberdade". "Não vou abrir mão dos meus valores, dos meus valores familiares, inclusive, que infelizmente foram atacados nos últimos dias" e disse que estará na luta "olho por olho e para a frente", para "vencer".

A presidente do Supremo Tribunal Eleitoral, Rosa Weber, disse que "o exato momento das 20h48 é que se definiu matematicamente a definição de um segundo turno". A segunda volta é daqui a três semanas, a 28 de outubro.

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Guilherme Boulos anuncia apoio a Haddad

O candidato do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) à presidência Guilherme Boulos usou a rede social Twitter para apoiar Fernando Haddad na segunda volta das presidenciais, na disputa contra Jair Bolsonaro.

Fizemos uma campanha de cabeça erguida e plantámos sementes para o futuro. Agradecemos a todos os que depositaram os seus sonhos nas urnas votando 50 [posição do candidato no boletim de voto]. Agora estaremos nas ruas para derrotar o fascismo e eleger quem representa a democracia no segundo turno: Fernando Haddad", disse Boulos.

O candidato do PSOL, que apenas conseguiu alcançar 0,58% dos votos dos brasileiros, aproveitou o momento de voto, na manhã de domingo, em São Paulo, para tecer críticas a Jair Bolsonaro.

Sempre estivemos nas ruas para barrar o atraso. Ele não, ele jamais. Não podemos brincar com o país que está à beira do abismo. Ditadura nunca mais. Vamos barrar esse ódio, não vamos deixar que a farsa prevaleça. Está lá há mais de 27 anos. Bolsonaro apresenta-se como moralista mas não tem moral nenhuma", afirmou o candidato às presidenciais.